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Sobre Pastores e Lobos

Osmar Ludovico

Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos.

No entanto, não é difícil distinguir entre pastores e lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.

Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.

Pastores gostam de convívio, lobos gostam de reuniões.

Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.

Pastores choram pelas suas ovelhas, lobos fazem suas ovelhas chorar.

Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.

Pastores têm esposas, lobos têm coadjuvantes.

Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.

Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.

Pastores apaziguam as ovelhas, lobos intrigam as ovelhas.

Pastores têm senso de humor, lobos se levam a sério.

Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.

Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.

Pastores se extasiam com o mistério, lobos aplicam técnicas religiosas.

Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.

Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.

Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.

Pastores sabem orar no secreto, lobos só oram em público.

Pastores vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.

Pastores são pessoas humanas reais, lobos são personagens religiosos caricatos.

Pastores vão para o púlpito, lobos vão para o palco.

Pastores são apascentadores, lobos são marqueteiros.

Pastores são servos humildes, lobos são chefes orgulhosos.

Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.

Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a instituição.

Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.

Pastores falam da vida cotidiana, lobos discutem o sexo dos anjos.

Pastores se deixam conhecer, lobos se distanciam e ninguém chega perto.

Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.

Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.

Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.

Pastores conhecem, vivem e pregam a graça, lobos vivem sem a lei e pregam a lei.

Pastores usam as Escrituras como texto, lobos usam as Escrituras como pretexto.

Pastores se comprometem com o projeto do Reino, lobos têm projetos pessoais.

Pastores vivem uma fé encarnada, lobos vivem uma fé espiritualizada.

Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem adultas, lobos perpetuam a infantilização das ovelhas.

Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas, lobos lidam com técnicas pragmáticas com jargão religioso.

Pastores confessam seus pecados, lobos expõem o pecado dos outros.

Pastores pregam o Evangelho, lobos fazem propaganda do Evangelho.

Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.

Pastores tem dons e talentos, lobos tem cargos e títulos.

Pastores são transparentes, lobos têm agendas secretas.

Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.

Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.

Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.

Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.

Pastores constroem vínculos de interdependência, lobos aprisionam em vínculos de co-dependência.

Os lobos estão entre nós e é oportuno lembrar-nos do aviso de Jesus Cristo: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são devoradores (Mateus 7:15).

Osmar Ludovico da Silva, diretor e mentor espiritual, dirige cursos de espiritualidade, revisão de vida e de pastoreio de pastores e missionários. Casado com Isabelle e pai de Priscila e Jonathan, reside em Cabedelo, Paraíba.

Procurando onde não pode ser encontrado

De saída, aqui fica a questão: “A quem pertenço? A Deus ou ao mundo?”. Muitas das preocupações diárias sugerem que pertenço mais ao mundo do que a Deus. Qualquer crítica me deixa zangado e a menor rejeição me deprime. O menor elogio levanta meu espírito, um pequeno sucesso me anima. Bem pouco é necessário para me levantar ou me deixar por baixo. Frequentemente sou como uma embarcação num oceano, completamente ao sabor de suas ondas. O tempo e energia que consumo tentando manter o equilíbrio e evitando ser abatido e naufragar mostra que minha vida é uma luta pela sobrevivência. Não uma luta abençoada, mas um questionamento preocupado que resulta da idéia errada de que é o mundo que dá os meus parâmetros.

Enquanto eu ficar perguntando: “Você me ama? Você realmente me ama?”, eu confiro todo o poder às vozes do mundo e me coloco em situação de dependência porque o mundo está cheio de “ses”. O mundo diz: “Sim eu o amo se você é bonito, inteligente e rico. Eu amo “você” se você tem boa educação, bom emprego e bons relacionamentos. Amo você se você realiza muito, vende muito, compra muito”. Há “ses” sem número escondidos no amor do mundo. Esses “ses” me escravizam uma vez que é impossível responder adequadamente a todos eles. O amor do mundo é e será sempre condicional. Enquanto eu buscar o meu verdadeiro eu no mundo condicional, ficarei “preso” ao mundo, tentando, caindo e tentando novamente. É um mundo que leva à decadência, porque o que oferece não preenche o anseio mais íntimo do meu coração.

“Decadência” pode ser a melhor palavra para explicar o vazio que tão profundamente permeia a nossa sociedade contemporânea. Nossos hábitos fazem que nos apeguemos àquilo que o mundo chama de realização pessoal: acúmulo de fortuna e poder; obtenção de status e admiração; consumo excessivo de comida e bebida, e satisfação sexual, sem fazer distinção entre concupiscência e amor. Esses hábitos criam expectativas que só podem deixar de satisfazer nossas verdadeiras necessidades. Enquanto cultuamos os valores mundanos, nossos hábitos levam-nos a indagações infrutíferas no “país distante”, fazendo com que nos defrontemos com desilusões sem fim, ao mesmo tempo em que dentro de nós sobra um vazio. Nesses dias em que aumentam as solicitações, peregrinamos longe da casa do Pai. A vida desregrada pode muito bem ser considerada uma vida vivida num “país distante”. É de lá que se origina o nosso clamor por libertação.

Sou o Filho Pródigo toda vez que busco amor incondicional onde não pode ser encontrado. Por que continuo a ignorar o lugar do amor verdadeiro e insisto em buscá-lo em outra parte? Por que volto a sair de casa onde sou chamado um filho de Deus? Um amado de meu Pai? Fico constantemente surpreso, verificando como disponho dos dons recebidos de Deus – minha saúde, qualidades emocionais e intelectuais -; utilizo-os para impressionar as pessoas, receber aprovação e louvor, e competir por recompensa, em vez de desenvolvê-los para a glória de Deus. Sim, muitas vezes carrego-os para um “país distante” e coloco-os a serviço de um mundo oportunista que desconhece seu verdadeiro valor. É quase como se eu quisesse provar a mim mesmo e aos que me rodeiam que eu não necessito do amor de Deus, que posso subsistir por conta própria, que posso ser totalmente independente. Sob tudo isso, há a grande revolta, o “não” decisivo ao amor do Pai, a imprecação não proferida: “Eu gostaria que você estivesse morto”. O “Não” do Filho Pródigo reflete a revolta original de Adão: seu afastamento do Deus em cujo amor somos criados e do qual depende o nosso sustento. É a rebelião que me coloca fora do jardim, longe do alcance da árvore da vida. A insubordinação que faz com que me perca num “país distante”.

A Volta do Filho Pródigo, Henri J. M. Nouwen, Paulinas. Páginas: 47-48

Nossa Declaração de Propósitos

“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13-14).

“Trazer pessoas para Jesus através de células que se multiplicam a cada ano, edificar uma igreja de vencedores onde cada membro é um ministro e cada casa uma extensão da igreja”.

Nesta oportunidade, quero comentar nossa recém-criada declaração de propósitos, aprovada na última assembléia ordinária da igreja, em dezembro de 2008. Ela está em um banner em nosso templo para ser lembrada e memorizada. É importante ressaltar que a declaração de propósitos resume nossa visão e meta ministerial. Ela sintetiza o que queremos, o que não queremos, e onde envidarmos esforços. Objetivamente, a declaração de propósitos é a razão da existência de uma igreja.

“Trazer pessoas para Jesus...”. Note que nossa declaração é feita em termos de resultados, e não de atividades. Ela não diz que evangelizamos, mas, que trazemos pessoas para Jesus. Fica fácil avaliar ao observarmos se as pessoas estão ou não sendo trazidas, se a membresia está sendo alterada numericamente. A menos que as pessoas estejam sendo trazidas e sejam vistas convertidas entre nós, não estamos cumprindo a declaração de propósitos, mesmo que evangelizemos.

“...através de células...”. As células são a base de crescimento da igreja. Tudo na igreja deve acontecer a partir das células. As portas de entrada da igreja são as células. É através das células que alcançamos pessoas para Jesus. Devemos conquistar três vitórias: ganhar as pessoas para nós através da amizade, ganhá-las para a célula e finalmente ganhá-las para Jesus.

“...que se multiplicam a cada ano...”. O líder e cada membro da célula devem sonhar em multiplicar sua célula a cada ano. Se cada um ganhar um para Cristo em um ano, a célula se multiplica. É um alvo mensurável e motivador. Seguindo esse processo viável, em dez anos poderemos ter milhares de membros a partir de uma célula. A multiplicação anual possibilita um crescimento explosivo na igreja.

“...edificar uma igreja de vencedores...”. Uma vez convertida a Jesus, a pessoa será discipulada e acompanhada em seu crescimento cristão. Isso lhe torna saudável e maduro. O discipulado na célula desenvolve a vida de cada crente e lhe torna capaz de vencer as tentações e superar os embates da vida, fazendo com que cada membro da igreja seja crente vencedor.

“...onde cada membro é um ministro...”. Em nossa igreja cada crente é um soldado engajado, um titular. Ninguém está na reserva, ou como expectador. Em nosso time todos jogam e contribuem com os dons que receberam de Deus.

“...e cada casa uma extensão da igreja”. Gosto sempre de dizer que a igreja é formada de famílias. Dessa forma fica fácil entender que cada casa é parte da igreja e deve contribuir para a extensão do Reino de Deus na terra. Quando a casa do crente se abre para servir a Deus, a igreja cresce e Deus é glorificado.

Cada membro da igreja pode participar diretamente no cumprimento de nossa declaração de propósitos. Isso deve ser feito com empenho, pois, como disse Benjamin Disraeli, “a consistência em um propósito é a chave do sucesso”.

A igreja engajada

Nunca fui militar, mas sempre gostei da disciplina e da vida militar. No início de minha adolescência observava os jovens se alistarem para o exército e o deixarem depois de um ano, enquanto outros que tinham começado a servir no mesmo período continuavam. A explicação que os amigos me deram foi a seguinte: os que saíam tinham cumprido o serviço obrigatório, enquanto os que continuavam tinham se engajado na vida militar. Eles decidiram permanecer.

Como soldados do exército de Deus, cada um de nós é um engajado. Mais que apenas um cidadão civil, ou soldados que cumprem apenas o serviço obrigatório, somos ativos e permanentes soldados a serviço de nosso comandante maior, o Senhor Jesus Cristo. A vida militar tem uma identidade clara; entre elas estão a unidade e a obediência à voz de comando. Quero considerar essas duas qualidades aplicáveis à vida da igreja em duas passagens do Antigo Testamento:

A Torre de Babel: Conquanto trate-se de uma ilustração negativa, a lição pode ser positiva. A Bíblia diz que “no mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar”. Todos os homens se fixaram num mesmo lugar e resolveram construir uma cidade com uma torre que alcançasse os céus. Ao considerar tal comportamento, Deus disse: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer” (Gn 11.1-6). A intenção daqueles homens era a fama egoísta e prepotente. Mas, tirando a má intenção deles e aplicando essas palavras para a unidade da igreja, é exatamente isso que precisamos ser: um só povo, falar a mesma língua, e fazer o que planejamos. Para uma igreja dividida Paulo escreveu: “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer” (1 Co 1.10). Devemos ter uma só maneira de falar sobre a igreja, ver as coisas do mesmo modo, e termos as mesmas opiniões. Assim é a unidade.

Gideão e os trezentos: Deus chamou Gideão para liderar a libertação de seu povo da opressão midianita. Vinte e dois mil aceitaram a convocação. Deus mandou diminuir a tropa e ficaram dez mil. Mas Deus disse para Gideão que ainda havia gente demais. Finalmente, ficaram trezentos homens; os demais voltaram para suas casas (Jz 7.1-8). Aqueles soldados foram para o combate sob o comando de Gideão. O grito de guerra deles era: “Pelo Senhor e por Gideão!” (Jz 7.18). Temos aqui um princípio prático aplicável a igreja hoje. A igreja deve ser vista nos trezentos engajados para a batalha, sob a liderança de Gideão. Na Igreja de Jesus ninguém é voluntário ou expectador. Todos são engajados para servir ao Senhor com alegria, obediência e unidade. A voz de comando hoje para nós é a Bíblia, a Palavra de Deus. Ela nos é ministrada através da liderança que Deus colocou na igreja. Cada crente é um ministro, cada crente é um sacerdote, cada crente fala com Deus e ouve a Deus. Mas cada crente deve obedecer aos seus líderes e submeterem-se à autoridade deles (Hb 13.17).

Jesus disse: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mt 12.25). A igreja não avançará se não tiver unidade. Devemos desenvolver essa unidade em nossa linguagem acerca da igreja, nas opiniões e na maneira de ver a obra de Deus entre nós. Nós somos o santuário de Deus. O Espírito de Deus habita em nós. A igreja é sagrada. Se alguém destrói a unidade da igreja, Deus o destruirá (1 Co 3.16-17).

Faça você mesmo, todo o esforço para conservar a unidade da igreja (Ef 4.3). Não seja rebelde e não se associe com os tais. A rebelião é própria do Diabo (1 Sm 15.23). Seja obediente. A ovelha ouve a voz do seu pastor e o segue (Jo 10.2-4).

Vida Vitoriosa

“Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento” (2 Co 2.14).

Por ocasião do primeiro retiro de vida vitoriosa, memorizamos esse versículo que expressa tão bem o estilo de vida que Jesus conquistou e oferece a todo aquele que nele confia como Senhor e Salvador de sua vida. Esse é um padrão que parece irreal ao dizer que “sempre” somos conduzidos vitoriosamente. Quem vive sempre em vitória? Mas logo se percebe que esse viver vitorioso é para quem está em Cristo. Estar em Cristo é ter a vida de Cristo em si. É poder dizer “não mais eu mas Cristo vive em mim”. Daí por diante Deus espalha por todos os lugares o perfume de seu conhecimento através de nós. O segredo está nele, não em nós.

Mas é realmente bíblico esse viver vitorioso? É verdade que alguém possa viver de maneira sempre triunfante? Isso é condizente com o que conhecemos como vida nesse torrão onde pisamos? Qualquer pessoa ponderada vai dizer que ninguém é sempre feliz. Mas não há como negar que todo filho de Deus sente instintivamente que uma vida vitoriosa lhe é um direito inalienável. A Bíblia enaltece o vencedor. Mas essa vida vitoriosa não acontece na inércia. Foi depois de falar de acusações, condenações, tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, e espada, que o apóstolo Paulo escreveu: “Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele (Jesus) que nos amou” (Rm 8.37).

Temos duas dificuldades básicas que impedem o usufruto dessa vida vitoriosa: a pouca compreensão das verdades bíblicas e a falta de prática dessas verdades. A vida cristã não pode ser apenas uma recordação da alegria dos primeiros cristãos. A vida vitoriosa em Cristo é para todos nós hoje. Jesus morreu na cruz e ressuscitou para nos resgatar da mão dos inimigos e para o servirmos sem medo (Lc 1.74). Ele veio para destruir as obras do Diabo (1 Jo 3.8), e nos possibilitar essa vida plena pelo poder de seu Espírito em nós. De fato devemos ser cheios de toda a plenitude de Deus (Ef 3.19).

Jesus é capaz de salvar definitiva, completa e eternamente, aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles (Hb 7.25). Mas para mudar de vida a pessoa precisa nascer de novo pelo Espírito Santo, recebendo a Jesus como Senhor e Salvador pessoal para se tornar uma nova criatura (Jo 1.12; 3.3, 7; 2 Co 5.17). O problema é que a maioria dos que têm essa experiência, não vive com base no que são, mas no que fazem. É a verdade que nos liberta (Jo 8.32), e nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.37-39). Estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Ef 2.6). É isso que somos – luz no Senhor. Por isso devemos viver como filhos da luz (Ef 5.8).

É bem verdade que nesta vida há tempo para nascer e morrer, plantar e colher, tempo de morte e de cura, de derrubar e construir, de chorar e de rir, de pranto e de dança, de espalhar e de ajuntar, de abraçar e de afastar-se, de procurar e desistir, de guardar e jogar fora, de rasgar e costurar, de calar e falar, de amar e aborrecer, tempo de guerra e tempo de paz (Ec 3.1-8). Quase sempre preferimos cura, riso, dança, abraço, amor e paz. Mas a vida vitoriosa deve ser vivida em cada circunstância da vida. Não importa o que aconteça, confiemos em Deus, assumamos nossa posição, e pela fé vivamos à altura de nossa posição em Cristo. Qualquer que seja a fase da vida, nossa atitude com base no que somos em Cristo, e no que cremos, faz toda a diferença. Somos o que cremos, e o que cremos começa com o que somos – sempre vitoriosos em Cristo. Amém!

Pacto de Células

Em nossa igreja temos feito uma reciclagem dos valores cristãos para relacionamentos de qualidade. Quase todos os membros participaram de encontros semanais por três meses com esse propósito. Preguei uma série de mensagens sobre alguns desses valores que agora exponho em três pastorais seguidas.

1. Decido ser gracioso. A Bíblia diz: “Aceitem-se uns aos outros, da mesma forma que Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus” (Rm 15.7). Vivemos numa sociedade de trocas, barganhas, méritos, conquistas e direitos. Você tem que fazer por merecer. Se quiser o amor de alguém, por exemplo, deve conquistar tal pessoa. Isso está longe do amor incondicional, que escolhe amar, edificar e aceitar as pessoas independentemente do que digam ou façam. Ser gracioso não depende do que as pessoas dizem ou fazem. Mesmo que não concorde com suas ações, posso decidir amá-las como pessoas. Cada um de nós deve resolver com a ajuda de Deus ser gentil, reconciliador e gracioso.

2. Decido ser honesto. As palavras de Rui Barbosa sobre honestidade são bem conhecidas: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Ser honesto é uma questão de caráter, de índole, de foro íntimo, de princípio de vida, de temor a Deus, de obediência às Sagradas Escrituras. Ser honesto é uma decisão. Honestidade tem a ver com meus valores e com a minha condição interior. “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Pv 4.23). A pessoa honesta tem em Deus e na sua consciência duas testemunhas permanentes.

3. Decido ser transparente. A nossa maior dificuldade na condição de pecadores é sermos exatamente o que somos, como aconteceu com Adão e Eva (Gn 3.8-10). Ninguém pode se esconder de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante daquele, cujos olhos estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons (Hb 4.13; Pv 15.3). Todos somos transparentes diante de Deus por aquilo que ele é e sabe a nosso respeito, mas isso não impede que procuremos sempre conservar a consciência limpa diante de Deus e dos homens (At 24.16). Isso sim, é uma decisão que tenho que tomar; viver de conveniências e aparências, ou ser transparente comigo mesmo, com as pessoas e com Deus. É claro que a minha transparência não expressa a essência de minha nudez interior, pois como bem disse o apóstolo Paulo: “Embora em nada minha consciência me acuse, nem por isso justifico a mim mesmo; o Senhor é quem me julga” (1 Co 4.4).

4. Decido ser uma pessoa de oração. “E longe de mim esteja pecar contra o Senhor, deixando de orar...” (1 Sm 12.23). Já foi dito que se você quiser envergonhar uma pessoa, pergunte pela sua vida de oração. Também já foi observado que a melhor maneira de conhecer o potencial de uma igreja é vendo sua vida de oração. Não é por acaso que na maior igreja evangélica no mundo, a Igreja do Evangelho Pleno de Yoido (Yoido Full Gospel Central Church) em Seul na Coréia, o tempo investido em oração excede qualquer outra atividade na programação semanal. Alguém escreveu que se o Diabo pudesse destruir os dez lugares no mundo que ele mais odeia, ele escolheria os dez lugares onde mais se ora a Deus. Satanás sabe que quando oramos somos invencíveis, porque estamos armados do próprio Deus. Precisamos nos dedicar a oração (Cl 4.2). Orar não é algo natural, mas sim uma atividade espiritual. Por isso que Jesus disse: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). A oração deve ter importância primária em minha vida. Devo fazer o pacto de orar sempre (1 Ts 5.17).

5. Decido ser sensível. Precisamos desenvolver a capacidade de captar e expressar sentimentos. Isso não é automático, deve ser aprendido e cultivado. Ser sensível é perceber o que ficou nas entrelinhas, o que se quis dizer sem ser dito, o que se pensou sem falar, o que se desejou sem fazer. Geralmente ficamos somente no óbvio, no explícito; mas a essência das coisas é percebida pela veia da sensibilidade. Sensibilidade é a capacidade de se relacionar de coração para coração. Todos precisamos ser sensíveis.

6. Decido ser disponível. A disponibilidade não costuma ser a primeira virtude percebida em nossa vida cristã. Mas, a Bíblia diz: “Quanto lhe for possível, não deixe de fazer o bem a quem dele precisa. Não diga ao seu próximo: Volte amanhã, e eu lhe darei algo, se pode ajudá-lo hoje” (Pv 3.27-28). Ser disponível é não está ocupado para o que é necessário, primordial e essencial na vida. Devo ser desimpedido de tudo que me impeça de viver os propósitos de Deus e ser útil ao meu próximo. Devo me concentrar nas melhores coisas deixando de lado aquelas que não são necessárias. Jesus falou isso para Marta, irmã de Maria e Lázaro. Ela censurou sua irmã Maria ao dar toda atenção para a visita de Jesus em sua casa, enquanto ela se preocupava e se inquietava com muitas coisas. Jesus lhe disse que apenas uma coisa é necessária e que Maria havia escolhido a boa parte, e esta não lhe seria tirada (Lc 10.38-42). A chamada “tirania do urgente” tem escravizado muita gente nesses dias de tanta correria. Hoje se vive mais em função das coisas que das pessoas. Brigamos pelas coisas e subestimamos as pessoas. Mas, “a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (Lc 12.15).

7. Decido ser confidente. Ser confidente é ter uma virtude rara. Muitas pessoas não conseguem guardar confidências, o que gera cada vez mais desconfiança nos relacionamentos. A Bíblia diz: “Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo” (Pv 11.13). Outra coisa que dificulta as confidências é que procuramos manipular as pessoas para que elas sejam como queremos. Não aceitamos as pessoas exatamente como elas são. Gosto de uma citação de Dietrich Bonhoeffer: “Deus não deseja que eu veja a outra pessoa de acordo com a imagem que parece boa para mim, isto é, com minha própria imagem; Deus criou esta pessoa à sua própria imagem”. Ser confidente não me torna popular, mas me torna importante para quem em mim confia.

8. Decido fazer prestação de contas. “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” (Pv 27.17). Em nossa sociedade ser independente é sinal de maturidade. A gente cresce para ficar independente, ter seu próprio dinheiro, sua própria casa, seu próprio carro, e o melhor, é quando não temos que dar satisfação a ninguém. Será que esse é o melhor caminho para bons relacionamentos e a maturidade? Claro que não. O padrão para o cristão é a interdependência, não a independência ou dependência. Ser interdependente é ser livre sem deixar de considerar as relações interpessoais, pois “quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra sensatez” (Pv 18.1). Cada um de nós deve tomar a iniciativa de procurar uma pessoa idônea para prestar contas. Quando não presto contas de minha vida para ninguém, fico completamente vulnerável a cair, pois passo a ser minha própria referência. Aceito ser questionado, confrontado, corrigido e repreendido, entendendo que isso é a maneira que Deus usa para me aperfeiçoar na vida cristã. Decido não reagir.

9. Decido ser assíduo. “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (Hb 10.25). Todos gostam de ler sobre a igreja primitiva. Aqueles irmãos eram dedicados ao ensino da Palavra de Deus, à comunhão e às orações. Havia profundo temor a Deus entre eles. Deus para eles não era apenas um credo, mas uma experiência. Estavam sempre juntos e “tinham tudo em comum”. Vendiam o que tinham para distribuir entre os necessitados. Eram alegres, sinceros e cheios de gratidão a Deus. Eram queridos, tendo a simpatia de todo o povo, e era uma igreja em constante crescimento (At 2.42-47). O estilo de vida simples era admirável. A igreja dos nossos dias precisa voltar às origens. Devemos minimizar os programas e maximizar os relacionamentos. Esses devem ser mais naturais. A assiduidade nos encontros fraternais é um bom sinal de vida cristã.

10. Decido evangelizar. “Quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Co 9.16). Jesus começou e terminou seu ministério público chamando pessoas para serem pescadores de homens (Mc 1.14-20). Os quatro evangelhos terminam enfatizando a missão de pregar o evangelho (Mt 28.19; Mc 16.15; Lc 24.46-47; Jo 20.21). Com todo esse destaque de Jesus para a evangelização dos povos, os discípulos queriam ficar em Jerusalém, até que Deus os dispersou e eles evangelizavam por onde quer que fossem (At 8.1, 4). A Igreja nunca cresceu tanto como nos primeiros trezentos anos de sua história. A estratégia de Deus para a evangelização é cada crente. Se cada um de nós for fiel cada dia, veremos a expansão do Reino de Deus como nunca antes. Nem todos os crentes têm o dom de evangelista, mas todos são testemunhas de Jesus (At 1.8). Consciente de que a evangelização é uma ordem e não uma opção, que é um privilégio, mais que uma obrigação; decido evangelizar por amor a Cristo e ao meu próximo, entendendo que a obediência de outros trouxe o evangelho a mim. Não poderia ser omisso em cumprir essa missão sublime de evangelizar. Se posso apontar o caminho para o céu ao falar de Jesus, é um pecado ficar calado.

11. Decido trabalhar em equipe. “Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros” (Pv 15.22). Numa equipe deve se levar em conta as relações pessoais antes de se falar em tarefas. Isso torna a equipe saudável e produtiva. Sem um bom relacionamento entre os membros da equipe, pode até haver quantidade, mas sem qualidade. O ativismo é uma forma de compensar a falta de intimidade entre seus membros. Uma equipe é composta por pessoas comprometidas, que sempre se aprimoram, tendo um líder que coordena o grupo na busca de metas comuns. Para que uma equipe obtenha êxito, deve buscar a direção de Deus. Mas a qualidade espiritual deve ser encontrada em cada integrante (1 Tm 1-13). O trabalho em equipe deve seguir critérios bem definidos. As metas devem ser avaliadas periodicamente. Numa equipe, cada membro deve saber o que fazer e como fazer e fazer bem. Gosto de uma máxima que diz: “O dever que é de todos acaba não sendo de ninguém”. Por tudo isso, decido trabalhar em equipe, reconhecendo que sozinho nunca farei o que posso fazer em conjunto com outras pessoas que pensam, agem e avaliam comigo. A soma no trabalho evita mais trabalho e gera mais resultados. Trabalhar em equipe reflete o propósito e a natureza de Deus para nós.

Fazendo o Amor Durar Para Sempre

Nos dias 16 a 18 de maio, realizamos o 3º Retiro de Casais da Igreja Reencontro em um Hotel na Chapada dos Guimarães, local que usamos pelo terceiro ano. Começamos a usar o livro “Fazendo o Amor Durar Para Sempre”, de Gary Smalley – LifeWay Brasil. Você pode obter cópia de toda a apostila acessando: “Fazendo o amor durar para sempre”. Veja um esboço do que vimos ali:

I. DESCUBRA O SEGREDO DO AMOR. O maior impedimento ao amor para toda a vida não é o que nos acontece, mas o modo como optamos por responder e crescer com isso. O maior segredo do amor não está em trocar de cônjuge ou mudá-lo. Está em mudar seu próprio curso. Você pode mudar seu jeito no casamento. O amor para toda a vida é possível, independente de quais sejam as suas circunstâncias. Diga: “Sou completamente responsável por todas as escolhas que fiz e posso assumir responsabilidade por escolhas futuras”. Aceite a realidade do passado, mas viva acima do “jogo da culpa”. Arrependa-se: admita, renuncie e reordene sua vida. Liberte-se do passado (1 Pedro 1.18-19).

II. SAIBA COMO LIDAR COM A RAIVA. A raiva não resolvida causa terríveis prejuízos e destrói relacionamentos. A maioria de nós encobre a raiva tão rapidamente que nem mesmo sabe o que está fazendo. “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao Diabo” (Ef 4.26-27). A força mais destrutiva do amor no casamento é a raiva não resolvida. Quando guardamos a raiva dentro de nós, ela sempre é enterrada viva! A raiva nos distancia das pessoas, de Deus e de nós mesmos (1 Jo 2.9). Ela aliena-nos de nosso próprio corpo e impede a maturidade emocional. É por isso que pessoas feridas facilmente ferem. A raiva nos deixa infelizes.

III. TRANSFORME SUAS TEMPESTADES EM PÉROLAS. Transformar males em benefícios, é como contar pérolas. A pérola encontrada dentro de uma ostra começa com um irritante grãozinho de areia. “Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado” (1 Pe 1.6-7). De acordo com Romanos 8.28, Deus age para o nosso bem em situações difíceis. Devemos aproveitar cada dificuldade na vida.

IV. EQUILIBRE EXPECTATIVAS E REALIDADE. Quanto maior a distância entre nossas expectativas e a realidade que experimentamos, maior será o desânimo e a fadiga. O cérebro humano está sempre tentando preencher a lacuna entre a expectativa e a realidade. Isso deixa o casamento tenso. Leia bons livros, priorizando sempre a Bíblia; busque pessoas preparadas; reúna-se com pessoas que tenham interesses como os seus; especifique pessoas que poderiam dividir com você essa troca de “confidências”; dedique tempo para contemplar Deus pela fé. Busque a Deus junto com seu cônjuge daqui para frente.

V. ENCONTRE FORÇA PARA CONTINUAR AMANDO. Pesquisadores na área conjugal estão encontrando uma correlação entre a vida espiritual de uma pessoa e sua satisfação no casamento. Não deixe que suas dúvidas e os hipócritas lhe afastam de Deus. Esperar muito das pessoas pode lhe afastar de Deus. Esperar muito de seu trabalho pode lhe afastar de Deus. Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos. Não deixe nada em sua vida ficar fora de sua relação com Deus. Compartilhe tudo com o Senhor, o que é bom e o que é ruim. Isso lhe ajudará a depender dele (Pv 3.5-10).

Quem ama a Deus ama a Igreja

Cipriano, bispo africano do século III, dizia que “Deus é Pai e a Igreja é mãe”. Ele quis dizer que nossa relação com Deus é refletida no modo como lidamos com a igreja. Deus nos deu este mandamento: “Quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1 Jo 4.21). No Antigo Testamento Deus ordenou ao povo de Israel: “Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19.18). Jesus enfatizou esse mandamento para os seus discípulos, mas o fez de modo novo. Ele disse que devemos amar uns aos outros; mas isso deve ser feito do mesmo modo como ele nos amou. Dessa forma, todos saberão que somos seus discípulos, por meio do amor (Jo 13.34-35). O amor a Deus deve ser visível na igreja e no mundo.

Chamo você para envolver-se com a igreja muito mais do que já fez até aqui. Participe ativamente de tudo com dedicação e amor; seja pontual nos horários marcados, isso estimula outros a fazerem o mesmo; seja atencioso nos cultos e participe da melhor forma que puder; procure sentar-se nas cadeiras da frente, essa é uma maneira de valorizar o encontro do qual você participa; não fique procurando falhas para depois usá-las em suas conversas, isso não é saudável; ore sempre por sua igreja; cante nos períodos de louvor, isso é mais importante do que você possa imaginar; não seja apenas um expectador, participe de algo específico, faça o que você gosta e sabe fazer, é assim que a igreja cresce; seja amigo de seu pastor, incentive-o, ore por ele, não o condene quando falhar, ele parece com você; priorize sempre a sua igreja, não fique visitando outras igrejas; agradeça sempre que alguém falar ou fizer algo que lhe ajude; honre as pessoas; dê atenção aos visitantes, faça-os sentirem-se em casa; divulgue as atividades da igreja falando bem dela com entusiasmo para amigos e parentes; ore, contribua e participe de missões; seja sempre uma pessoa bondosa; faça tudo o que puder para ajudar seu pastor, ele precisa de você; valorize sua denominação; tenha uma atitude de servo, não fira as pessoas; alegre-se e comemore quando tudo estiver indo bem, você não precisa dificultar nada no bom andamento da igreja.

A Bíblia diz que se andarmos na luz como Deus está na luz, temos comunhão uns com os outros (1 Jo 1.7). Isso significa que a qualidade de nossos relacionamentos na igreja, depende basicamente da qualidade de nosso relacionamento com Deus. Se todos nós desenvolvermos comunhão com Deus e obedecermos à sua Palavra, viveremos uns com os outros de um modo digno do evangelho de Cristo. Deve ser normal que concordemos uns com os outros no que falamos; deve ser natural que não haja divisões entre nós. Devemos ser unidos num só pensamento e num só parecer (1 Co 1.10). Rejeite o espírito antagonista de ser do contra apenas por ser, isso não trás proveito para ninguém. Não subestime jamais o privilégio de pertencer a igreja de Cristo. Ela custou-lhe o sangue derramado na cruz.

Cristo ama sua igreja como um marido ama sua esposa. Ele entregou-se por ela e zela por sua pureza ao ponto de querê-la inculpável. Cristo cuida da igreja (Ef 5.25-29), e nós que somos igreja, devemos cuidar dela também como alguém que cuida de si mesmo pelo senso do amor próprio. Não apenas quem ama a Deus ama a igreja, mas quem ama a si mesmo também ama a igreja. Será que o pouco amor demonstrado em favor da igreja não passa pelo fraco amor a Deus e a si mesmo?

Essa questão de amar a Deus e amar a igreja tem altas implicações. Concluo com duas referências bíblicas que deixam isso evidente: “Se alguém não ama o Senhor, seja amaldiçoado. Vem, Senhor!” (1 Co 16.22). “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (At 9.4). Amar a Jesus não é algo neutro, é fundamental. Por outro lado, ser contra a igreja é ser contra Jesus. Portanto, ame a Jesus, ame a igreja.

Igreja: Lugar de Relacionamentos

A igreja existe para relacionamentos. Ela nos ensina o que crer e como nos comportar, mas pouco tem avançado na arte dos relacionamentos. O zelo sem entendimento, muitas vezes tem feito da igreja um bote salva-vidas com destino ao céu, mas alienada do mundo e dos seus membros entre si.

A igreja tem tido um ministério extenso, mas com espessura fina, porque seus valores são mantidos na exterioridade. O guarda-roupa do cristão é interno. Como igreja, precisamos nos revestir de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Devemos suportar uns aos outros e perdoar as queixas que tivermos uns contra os outros. Assim como o Senhor nos perdoou devemos perdoar (Cl 3.12-13). O ambiente mais propício para se viver esses valores é numa célula, num grupo pequeno, onde podemos conversar sobre as nossas vidas, discutir questões da fé e orarmos juntos. Ficando um bom tempo num ambiente assim, estranharíamos o formato de culto que praticamos no prédio da igreja, onde até o levantar e o sentar são ordenados por alguém que faz isso ao seu modo.

Até que ponto a igreja tem correspondido ao propósito de Jesus? A Igreja continua e continuará porque a palavra do Senhor jamais será frustrada: Ele disse: “Edificarei a minha igreja” (Mt 16.18). Mas precisamos considerar muitas coisas que estão a desejar por causa de nós mesmos. Quando perguntaram ao filósofo ateu Friedrich Nietzsche porque ele era tão contrário aos cristãos, ele respondeu: “Eu creria na sua salvação se eles se parecessem um pouco mais com pessoas que foram salvas”.

Esse é um tempo para relacionamentos. Precisamos jogar fora nossas máscaras, enfrentarmos nossos medos, sermos vulneráveis, e rompermos com a hipocrisia. Esse é o pecado mais comum e sutil da igreja. A Bíblia diz que devemos nos livrar de toda hipocrisia (1 Pe 2.1). Quando isso acontecer, seremos mais naturais e perdoadores. Nenhum casamento é perfeito, pais e filhos também não são perfeitos. Mesmo assim não desistimos de nossas famílias. Da mesma forma não vamos desistir da igreja. O que nos cabe é rever conceitos, comportamentos, e o estilo de ser igreja.

Cada um de nós é como uma brasa. Vai esfriar se ficar só. Precisamos de relacionamentos. A Bíblia diz que “assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” (Pv 27.17). A vida cristã não pode ser vivida alimentada apenas por uma fé intelectual. Ela só pode ser vivida dentro de uma comunidade cristã de base – uma célula. Está escrito: “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunirnos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (Hb 10.24-25). Nenhum cristão desenvolve-se sozinho.

Precisamos aprender a viver apaixonadamente como igreja. Há muito ceticismo da igreja pela igreja. Precisamos defender a igreja e sermos ativos em toda a sua maneira de ser. A mudança começa dentro de cada um de nós. De repente, devemos começar a olhar para a igreja de uma maneira completamente diferente de tudo o que pensamos sobre ela até hoje. Outros precisam apenas fazer ajustes em sua visão. Mas, a verdade é uma só. Todos igualmente precisamos urgentemente começar a viver igreja como nunca antes. Precisamos olhar menos para as coisas e mirar mais nas pessoas. Vamos parar de tolerar a igreja, vamos amá-la. Termino dizendo que a mudança da igreja começa com a minha mudança. Esse é o tempo ideal para isso.

A conservação do vinho e dos odres

Estamos numa transição. O que é isso? Estamos passando de uma igreja com grupos pequenos para nos tornarmos uma igreja em células. Antes tínhamos grupos pequenos como parte dos programas da igreja. Mas agora seremos uma igreja que vive em células. Tudo na igreja será em função das células. Viveremos em células.

Milhares de pequenas unidades se juntam para formar o corpo humano. Essas unidades são chamadas células. No ventre da mãe começa a vida de uma criança em uma célula que cresce e se multiplica em muitas outras, se transformando em um corpo humano admirável!

A célula na igreja é um grupo de oito a quinze pessoas que formam uma comunidade para crescer no relacionamento de uns com os outros, experimentar o amor de Deus, e alcançar os incrédulos para Cristo.

Nos tempos antigos, guardava-se o vinho em vasilhas de couro de cabra. Essas vasilhas eram chamadas de odres. O suco de uvas frescas devia ser colocado em odres novos porque ao fermentar, o vinho se expandia, e os odres novos se esticavam. Mas um odre velho que já não tinha elasticidade estouraria ao receber vinho novo. Jesus trouxe o vinho do Evangelho com um novo estilo de vida que não pode ser confinado em antigas formas (Mt 9.16-17).

Jesus é a ponte entre o velho e o novo jeito de viver para Deus. Quando ele morria na cruz, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51) para dar acesso irrestrito a todos nós. Ele quebrou paradigmas para implantar o novo. Ele se identificou mais com a sinagoga do que com o templo. Ele vivia nas casas, sempre cercado de pessoas, porque ele era de fácil acesso.

Jesus escolheu o seu grupo protótipo (os doze apóstolos), para mostrar como se deve discipular num relacionamento dinâmico de um grupo pequeno (célula). A partir desse modelo, devemos seguir fazendo o mesmo. A única maneira de experimentarmos os mandamentos recíprocos dos “uns aos outros”, é numa célula. Assim como o vinho novo fermenta exigindo espaço para se expandir, de igual modo a prática da vida cristã precisa se expressar em relacionamentos verdadeiros.

O templo cumpriu o seu papel na velha aliança. Com a vinda de Jesus ele perdeu a centralidade. Deus procura verdadeiros adoradores que o adorem em todos os lugares. Por isso que usamos a máxima que diz: “Cada casa uma igreja, cada membro um ministro”. A igreja primitiva viveu seus primeiros três séculos nas casas.

Dizendo isso não estou combatendo as reuniões de todos os crentes num mesmo local. A Bíblia diz que é exatamente assim que deve ser: “Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo” (At 5.42). É como uma ave, que para alçar vôo, precisa de suas duas asas.

A igreja deve conservar o vinho novo revelado no Novo Testamento e também preservar os odres (casas) onde esse vinho deve ser consumido e expandido pelo mundo afora. Esse equilíbrio deve ser conservado: a igreja do atacado e a igreja do varejo; a igreja dos grupos pequenos e a igreja dos grandes ajuntamentos para celebração. Conservando vinho e odres, nós cumprimos o ideal de Jesus.

Pastor também é ovelha

Nesses últimos dias tenho me sentido mais como ovelha do que como pastor. Isso porque pastor também é ovelha. O ministério pastoral não me imuniza das necessidades inerentes ao ser humano, como, carinho, amizade, atenção, apoio, valor, segurança e coisas próprias das relações humanas. O pior em tudo isso é que me sinto só. Se morresse hoje, partiria com essa sensação de ter sido um homem solitário. É claro que não sou uma ilha, que não vivo isolado das pessoas. Tenho minha esposa, minhas filhas, os irmãos da igreja e outros relacionamentos. Mas falo de algo mais. Sei que tenho necessidades que somente Deus satisfaz. Mas sei também que tenho necessidades que somente outras pessoas podem satisfazê-las. É disso que falo. Estou cansado de relacionamentos rasos, aparentes e formais.

Reconheço que muitos pastores têm passado uma imagem diferente. Parecem estar sempre de bem com a vida, sempre sorridentes e com uma palavra positiva. O que não traduz plenamente a verdade. O pastor precisa se comportar como uma pessoa normal. Acredito que não é uma questão de fingimento ou de hipocrisia. É um paradigma estabelecido há muito por muitos e que tem produzido um efeito dominó. Mas isso pode e deve mudar. Eu já me decidi pela mudança. Sei que minha índole é mais voltada para a introspecção do que relacionamentos. Mas não posso culpar quem culpa tem de eu ser assim. Se é que alguém tem alguma parcela de culpa por isso. Devo assumir minha parte e reverter esse quadro que já me é insuportável. O pastor precisa descer do pedestal e ter coragem de ser uma pessoa vulnerável e acessível.

Por outro lado, cabe uma reflexão por parte das igrejas com respeito aos seus pastores. Há muita insensibilidade e indiferença para com aqueles que cuidam da vida dos crentes e que prestarão contas a Deus por isso (Hb 13.17). O pastor precisa ser considerado pelo trabalho que faz. Ele deve ser tido na mais alta estima, e ser tratado com amor (1 Ts 5.12-13). Poucos olham para o pastor na sua integralidade. Ele tem família, sua esposa precisa do apreço e cuidado da igreja, seus filhos são normais e não super-filhos pelo fato de serem filhos do pastor. O apoio material deve ser mantido ao pastor e sua família, pois, se semeamos coisas espirituais, seria demais colhermos da igreja coisas materiais? (1 Co 9.11). Mas, acima de tudo o pastor precisa mesmo é da compreensão, amor, apoio e amizade das ovelhas, pois ele também é ovelha.

Estou abrindo meu coração porque quero mudança nessa área tão preciosa de minha vida. Sei que muito pouco tem sido feito de minha parte. Mas não posso deixar de reconhecer que Deus tem feito mudanças consideráveis em minha cosmovisão de relacionamentos. Tenho necessidade de relacionamentos mais achegados, e gostaria de poder contar com pessoas da igreja que se aproximassem de mim para ouvirem meu coração. Pessoas com as quais eu pudesse contar para tudo; pessoas que se interessassem pelas minhas fraquezas, meus medos e meus pecados. Não as tenho e choro por causa disso. Sei que é minha missão cuidar das ovelhas. Mas quem cuidará de mim? Deus tem me dado amigo(s), mas tenho me frustrados com outros que são tão carentes ou mais necessitados do que eu mesmo.

O que fazer então? Acho que muito pode ser feito se ambas as partes se mobilizarem para isso. Os pastores devem ser mais humanos, amigáveis, informais, receptivos, e vulneráveis. Mas as ovelhas não podem ficar indiferentes, achando que devem apenas receber do pastor. Elas também precisam cuidar do pastor. Parafraseando a Bíblia, digo: “Aproximem-se do pastor e ele se aproximará de vocês!” (Tg 4.8).

A Quitanda e o Supermercado

Quando a gente era menino comprava na quitanda. Hoje compramos no supermercado. A quitanda era aquele pequeno estabelecimento comercial onde o vendedor era conhecido de toda a nossa família. As crianças até lhe pediam a bênção. Alguns tratavam nossos pais de compadres. A gente comprava fiado em nome dos pais e o proprietário anotava em um caderno para ser pago no final do mês. Se não desse para pagar tudo, ficava para o outro mês e nem tinha juros. A gente comprava conforme precisava. Não se estocava mercadoria em casa. Podia comprar metade de uma rapadura, meio quilo de açúcar, uma barra de sabão, um litro de querosene para a lamparina e assim por diante. As compras eram feitas com diálogos. O vendedor e o comprador se interessavam um pelo outro e conheciam a família um do outro, os negócios, os problemas e planos.

Mas o tempo passou, e hoje vivemos na era dos supermercados. É tudo diferente, basicamente o oposto da quitanda. O supermercado é um grande estabelecimento comercial. A gente não conhece e nunca vê o dono da empresa que muitas vezes pertence a uma sociedade anônima. As crianças podem até desfrutar de um playground, mas alguém deve cuidar delas ou pagar pelo uso. A gente não conhece os funcionários e não precisa falar com eles para comprar, pois é um ambiente em sua maior parte de auto-serviço. Hoje para comprar tem que ter dinheiro ou crédito na praça. O fiado acontece com um cheque pré-datado ou com cartão de débito ou crédito. Os juros estão em praticamente tudo o que se compra. Somos obrigados a comprar conforme a embalagem e tudo é muito impessoal, ainda que muito atraente.

A igreja tem se tornado como um supermercado. Os templos são cada vez maiores e mais confortáveis. As relações são superficiais. É normal participar de um culto, ir embora e não falar com ninguém. As pessoas pouco se conhecem ou nem se conhecem. Os membros das igrejas se tornaram consumidores exigentes; pagam para usufruir e se não gostarem reclamam, trocam de “gerente” ou vão para outro “supermercado” que lhes agrade.

Fazendo comparações, a igreja deve ser como a quitanda e o supermercado; deve viver no varejo e no atacado. Os grandes ajuntamentos no prédio da igreja se comparam ao supermercado, que é o perfil da igreja há mil e setecentos anos. Isso tem a sua importância. Mas não se pode ignorar o estilo “quitanda”, onde a igreja vivencia seus valores em pequenos grupos. Somente nesses ambientes são vivenciados os chamados mandamentos recíprocos, aqueles conhecidos como “uns aos outros”. É aqui que as coisas acontecem de fato. Os grandes ajuntamentos refletem o que acontece nas células.

Sobre a igreja no início, a Bíblia diz: “Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo” (At 5.42). Esse é o equilíbrio que precisamos resgatar; viver as celebrações coletivas, mas jamais subestimar a importância dos pequenos grupos. É como um pássaro com suas duas asas.

A igreja não é um sistema semelhante ao Antigo Testamento. Ela nasceu para ser um movimento, não um monumento. Para a igreja, todos os dias são santos, todos os lugares são santuários e todas as ações são rituais sagrados. O que identifica a igreja é a presença de Jesus, mesmo que com dois ou três reunidos em seu nome (Mt 18.20). Nós somos a igreja e somos o templo; o restante é de somenos importância.

A maturidade do atleta cristão

“(…) exercite-se na piedade” (1 Timóteo 4.7).

Estamos nos exercitando na piedade como bons atletas cristãos? O Novo Testamento faz paralelos entre o treinamento e o desempenho dos atletas que competiam nos Jogos Olímpicos e os deveres e privilégios dos cristãos. Existem mais de 50 referências aos esportes no Novo Testamento.

Os atletas Olímpicos submetiam-se a dez meses de treinamento rigoroso; era uma condição inflexível, sem exceção (1 Co 9.25). Deviam moderar seus desejos e absterem-se de certos passatempos que poderiam prejudicar suas aptidões. Observavam uma dieta balanceada e sem gorduras. Precisamos de domínio próprio como fruto do Espírito Santo para o nosso bom desempenho espiritual (Gl 5.23).

Não basta admirar o sacrifício, a disciplina e o domínio próprio dos atletas. Também devemos ter dedicação semelhante como discípulos de Cristo. Um corpo mimado e poupado significa corrida perdida. Um atleta flácido não ganha nenhuma medalha. A corrida cristã é uma maratona que dura por toda a vida (Hb 12.1). Não devemos relaxar jamais, mas seguir as regras na Bíblia para corrermos bem (2 Tm 2.5).

Há muitas influências para nos desviar do alvo (Gl 5.7). Temos um Adversário manhoso, que usa seus seis milênios de perversa experiência para nos jogar para fora da pista. Não podemos ignorar as suas intenções (2 Co. 2.11). Devemos manter os olhos fitos em Jesus sem olhar para trás: “(…) uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp. 3.13-14; Hb 12.2).

Depois de empregar a figura do corredor em 1 Coríntios 9.26-27, Paulo volta-se para o boxe: “Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo (…)”. Temos que lutar contra nós mesmos (Rm 7.18). É como se Paulo estivesse dizendo: “Eu acerto todos os golpes; e os acerto em meu próprio corpo. Logo, meu corpo é meu servo, e não meu senhor”.

Paulo terminou seu breve comentário sobre os jogos com uma nota séria. Apesar do vasto alcance de suas realizações, ele ainda reconhecia a astúcia do Inimigo e a fraqueza da sua própria natureza humana. “Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado” (1 Co. 9.27).

Quando Paulo já estava velho, veio a descobrir que o mundo não se tornara menos enganoso, nem o pecado menos sedutor. O Diabo não se tornara menos malicioso do que nos tempos de sua mocidade, e ainda lhe causava um medo saudável.

A palavra “reprovado” não tinha referência à sua salvação. Ele não tinha medo de perdê-la, mas temia ser reprovado, ou seja, perder a sua recompensa. Isso equivale dizer ter corrido em vão. Tenhamos esse mesmo medo saudável, e corramos de tal maneira que alcancemos o prêmio.

Vivendo em Comunidade

“Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum” (At 2.44).

Seria revolucionário se a igreja tivesse um estilo de vida onde todos os crentes vivessem unidos tendo tudo em comum. Viver em comunidade é viver em comunhão, tendo tudo em comum. Esse estilo de vida dos primeiros cristãos os levava a vender suas propriedades e bens para distribuírem entre os necessitados, ao ponto de não haver pessoas necessitadas entre eles (At 2.45; 4.34-35). Devemos ser uma igreja assim, que pratica o amor de forma concreta e funcional, não amando apenas de palavras, mas em ação (1 Jo 3.16-18). Esta semana li uma frase atribuída a Margaret Thatcher que muito me falou: “Ninguém se lembraria do Bom Samaritano se ele só tivesse boas intenções. Ele possuia também dinheiro”. Precisamos de dinheiro e usá-lo em favor dos outros.

Mas viver em comunidade não torna a vida comum apenas no que diz respeito aos bens materiais, mas também aos valores morais e espirituais. Devemos nos reunir para incentivar e encorajar uns aos outros (Hb 10.24-25). Assim como o nosso corpo é equilibrado em cinco sistemas: 1) sistema ósseo, 2) sistema nervoso, 3) sistema digestivo, 4) sistema sanguíneo, e 5) sistema respiratório; assim também a célula espiritual também contém cinco importantes elementos que constituem a vida da célula. A mão é uma ilustração desses cinco importantes elementos e pode nos ajudar a compreender a singularidade dos elementos atuantes em uma célula. Esses elementos fluem do coração de Deus e são extensões na célula de quem Deus é.

OS CINCO SISTEMAS DA CÉLULA. Essa ilustração da mão é simples, mas ao mesmo tempo é profunda para que se compreenda a verdadeira vida do Cristo onipresente na comunidade cristã.

1. O polegar representa a comunidade. Os quatro dedos com o polegar fazem com que a mão humana seja especial. Cada dedo funciona independentemente, mas também em interdependência com o polegar. Os cristãos precisam estar em comunidade uns com os outros antes que os outros elementos possam ser vividos. Treinamento (discipulado), prestação de contas, liderança e evangelismo combinam-se como um todo quando ativados na comunidade.

2. O dedo mínimo representa o treinamento. Os novos crentes são representados pelo dedo mínimo. A força da igreja é a nutrição de bebês espirituais para levá-los à maturidade (representada pelo lado do dedo mínimo) e a vida juntos em comunidade (representado pelo lado do polegar).

3. O dedo anular representa a prestação de contas. Talvez esse seja o elemento mais temido e mal compreendido na vida da igreja. Quando bem compreendido, esse é um dos elementos mais preciosos da vida da célula. O conceito da prestação de contas é ensinado em textos como Efésios 4.32; 5.21; Colossenses 3.13.

4. O dedo médio representa a liderança. Como o dedo mais proeminente, o dedo médio representa o povo forte e maduro que são os pais e mães espirituais. Os líderes devem cuidar dos bebês espirituais e liderar o rebanho de Deus.

5. O dedo indicador representa o evangelismo. Esse é o dedo que aponta, indica e pega coisas. Ele representa o evangelismo, porque a célula existe para apontar em direção aos perdidos e “pegar” os que estão separados de Deus.

Agora, com a sua mão você leva consigo uma ilustração da célula a todo lugar que você for. Cada vez que você olhar para a sua mão, poderá se lembrar da vida dinâmica e do ministério de Cristo por meio de sua célula.

A igreja em células

Nossa igreja está numa transição de grupos familiares (grupos pequenos) para células. Toda célula é um grupo pequeno, mas nem todo grupo pequeno é uma célula. Uma igreja em células é a maneira mais prática de viver como os primeiros cristãos. Assim como o nosso corpo é composto de milhares de células, a igreja que é um corpo é formada de incontáveis células que são os cristãos. Na igreja local, uma célula é um grupo de oito a quinze pessoas que se reúne para experimentar o amor de Deus na comunhão com os irmãos, procurando sempre alcançar outras pessoas para Cristo. As células são partes de um todo que é a igreja. Elas não são isoladas, independentes, mas interdependentes. As células se reúnem em vários locais do bairro e da cidade, mas se encontram para adorar e celebrar ao Senhor Jesus Cristo. Todos os crentes são pastoreados nas células de modo efetivo. Assim, mesmo que a igreja tenha milhares de membros, todos são assistidos pelos líderes das células, seus auxiliares e demais membros, na prática bíblica dos mandamentos recíprocos de “uns aos outros”. A Igreja nasceu com 120 pessoas. No dia de Pentecoste houve 3.000 conversões, multiplicando assim 25 vezes sua membresia num só dia. Como os apóstolos fizeram para batizar 250 pessoas num dia, cada um deles? Onde se reuniriam? Como discipular essa gente toda? Certamente eles distribuíram esses novos irmãos entre os 120, para que esses dessem seguimento ao discipulado. Isso aconteceu em seus lares.

A Igreja do Novo Testamento começou tendo dois tipos de reuniões - nas casas e no templo (At 2.42). As celebrações que se realizavam em lugares públicos tinham uma multidão de cristãos. As reuniões nas casas eram grupos pequenos que hoje chamamos células (At 12.12; Rm 16.3-5; Cl 4.15; Fm 2). A igreja equilibrava suas reuniões grandes e pequenas.

No ano 312, com a institucionalização do Cristianismo, a Igreja começou a perder seu equilíbrio entre a celebração e a célula. Em 1517, Martinho Lutero liderou a Reforma, provocando uma transformação na teologia, porém, deixou intacta a estrutura da Igreja. Em 1738, inspirado pelos Morávios, João Wesley começou a organizar seus “clubes santos”. Estes eram grupos pequenos onde os crentes se reuniam para orar, estudar a Bíblia e animar uns aos outros. Para Wesley, converter-se e não participar de um grupo pequeno, não valia muito. O pai do movimento celular moderno é o Pastor David Yonggi Cho, que iniciou sua igreja em 1958 em um bairro pobre de Seul, na Coréia do Sul.

Deus tem restaurado à sua Igreja o modelo do Novo Testamento. A combinação das reuniões de celebrações com as células não é uma idéia humana, mas sim o modelo que a Bíblia e a história demonstram que tem sido o sistema de Deus para o crescimento de sua igreja. Esteja aberto para mudanças e adaptações. Nunca esqueça que a Igreja foi instituída por Cristo para ser um movimento, não um monumento. A vida da igreja é dinâmica. Por isso, é normal que se façam mudanças em sua metodologia de trabalho. Nossos propósitos não mudam, mas a maneira de vivenciar esses propósitos deve mudar sempre que necessário.

Por isso, mude para apoiar, participar, contribuir, comprometer-se. A Bíblia diz que cada um de nós está sendo utilizado como pedra viva na edificação de uma casa espiritual (1 Pe 2.5). Seja essa pedra que constrói sempre, como uma célula viva.

Como ser diferente sem ser indiferente

As pessoas em geral estão buscando significado para a vida, paz, amor e realidade. Elas estão fazendo estas buscas nos lugares errados. O lugar ideal que deveriam procurar é geralmente o que mais ignoram, isto é, a Igreja. A razão porque fazem isso, é que não vêem na igreja a diferença que procuram, mas um conformismo com a situação ao redor. Jesus dirigiu-se a uma igreja dizendo-lhe: “Você tem fama de estar vivo, mas está morto” (Ap 3.1).

Essas palavras devem nos incomodar, pois a igreja em nossos dias vive algo semelhante. À medida que a igreja vai perdendo sua diferença do modo de ser do mundo, ela está contradizendo sua verdadeira identidade. Nada poderia ser pior para um cristão do que ouvir: “Você não é diferente das outras pessoas!”.

O Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para chamar um povo para si mesmo, um povo “santo”, separado do mundo. Aliás, esse propósito divino vem desde o início, quando ele escolheu o povo de Israel para ser seu povo escolhido. A Bíblia diz: “Disse o SENHOR a Moisés: Diga o seguinte aos israelitas: Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês. Não procedam como se procede no Egito, onde vocês moraram, nem como se procede na terra de Canaã, para onde os estou levando. Não sigam as suas práticas. Pratiquem as minhas ordenanças, obedeçam aos meus decretos e sigam-nos. Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês” (Lv 18.1-4). Mas ao longo da história o povo de Israel foi muito rebelde com Deus. Quando Jesus iniciou seu ministério público, ele chamou o povo para o arrependimento. Ele disse: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 4.17).

O Sermão do Monte parece conter a essência do ensino de Jesus. Ele mostra a justiça de forma atraente, ao mesmo tempo que deixa evidenciada a nossa frágil espiritualidade, mas faz-nos sonhar com um mundo melhor. Nessa série de ensinos (Mateus 5 a 7), Jesus mostra que aqueles que lhe seguem devem ser diferentes. Um texto-chave do Sermão do Monte para falar desse diferencial dos seguidores de Jesus em relação ao mundo é o que diz: “Não sejam iguais a eles…” (Mt 6.8). Todo o sermão mostra o contraste entre o padrão cristão e o não-cristão.

Uma breve análise do Sermão do Monte nos mostra a importância do seu conteúdo e a relevância que ele tem para as nossas vidas hoje. As Bem-aventuranças falam do caráter cristão (5.3-12). São sinais da conduta e do caráter cristão, e as bênçãos para quem tem esses sinais na vida. A influência do cristão (5.13-16) é comparada ao sal e à luz. A justiça do cristão, mostra sua atitude para com a Lei Moral de Deus (5.17-48). A piedade do cristão deve ser mais que uma mera religiosidade (6.1-18). O cristão deve ambicionar os valores de Deus (6. 19-34), pois não é possível agradar a Deus e viver em função do materialismo. O cristão se relaciona dentro de um universo variado de pessoas (6.19-34). Para isso precisa ser sábio. O Sermão do Monte nos chama para uma dedicação cristã (7.21-27).

Que nosso Senhor Jesus Cristo nos ajude a ser diferentes, sem ser indiferentes com as pessoas do nosso convívio. Ser diferente é viver como Deus quer, conforme sua Palavra (a Bíblia). E uma das coisas que Deus quer para as nossas vidas, é que amemos as pessoas e sejamos bênçãos em suas vidas.

Um novo norte para a igreja

Deus sempre dirigiu seu povo para experiências maiores e melhores. Por todo o percurso do deserto ele estava na direção. A nuvem da presença de Deus dava o sinal de sua orientação. Quando a nuvem parava sobre o acampamento, o povo parava. Quando ela se levantava o povo seguia adiante. Isso acontecia por um dia ou por vários. Ninguém sabia nem podia agendar o tempo de permanência em determinado lugar. Era esperar para ver a movimentação da nuvem (Nm 9.15-23). Isso funcionou por quarenta anos, até que Deus disse: “Vocês já caminharam bastante tempo ao redor destas montanhas; agora vão para o norte” (Dt 2.3). Sei que esse norte mencionado aqui é uma referência geográfica. Mas há também um norte no sentido de novo rumo, nova direção.

Deus tem algo novo e maior para seu povo. Através do profeta Zacarias foi prometido que muitas pessoas procurariam o povo de Deus para suplicar o favor do Senhor. Isso já aconteceu em vários períodos da história, mas acredito que a profecia continua em aberto e que isso pode acontecer em nossos dias, em nosso meio e em nossa igreja. Dez homens virão de longe e se juntarão a um dos nossos (Zc 8.20-23). Isso me faz ver a multiplicação de pequenos grupos diante de nossos olhos. Jesus via a igreja reunida em pequenos grupos. Ele disse: “Onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mt 18.20). Paulo não tinha dificuldade de referir-se à igreja que se reunia nas casas (Rm 16.5; 1 Co 16.19; Cl 4.15).

Jesus quer ver sua igreja avançando em todos os sentidos. Ele quer usar cada um de nós para ser porta-voz de sua mensagem, resultando isso em vidas convertidas entregando-se a Jesus (1 Co 14.24-25). Considere os seguintes assuntos e datas:

Templo: A prefeitura não nos permitiu fazer as mudanças que planejávamos executar. Mesmo assim, estamos empenhados em um novo plano de alterações.

Semana Santa: Na sexta-feira teremos o culto da crucificação (6/4). Sábado será aniversário da JR. No domingo celebraremos a Deus no culto da ressurreição as 6:00h.

Campanha Evangelística “UM MAIS UM”: Os próximos três meses terão uma grande ênfase evangelística em nossa igreja. Participe e lidere um trio evangelístico.

2º Retiro de Casais: Faça sua inscrição com o Pr. Antonio Francisco. Serão dias abençoados de investimento em seu casamento (18-20/5). Convide um casal amigo.

Cerimônia dos Casais: Todos os casais estão convidados para a cerimônia onde os pastores abençoarão seus casamentos. Haverá renovação das alianças (20/5).

1º Módulo de Células: Esse evento é de suma importância na nova fase de nossos grupos pequeno. Agende essa data e participe (25-27/5).

7ª Conferência de Renovação Espiritual: Essa é uma conferência para se buscar juntos o poder de Deus e renovar nossa vida cristã (1-3/6). Ore e participe.

O novo norte de Deus para nossa igreja conta com o nosso compromisso integral de membros. Precisamos zelar da vida cristã, nos envolvendo ativamente na vida da igreja: orando, participando e contribuindo financeiramente. A igreja somos nós.

A importância de começar bem

“Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês” (Gl 4.19).

Semana passada nasceu nos Estados Unidos, Amilia Taylor. Nasceu com menos de 22 semanas de gestação (pouco mais de cinco meses), com 280 gramas. Qualquer recém-nascido com menos de 1 kg é considerado de “extremo baixo peso”. Antes dela, os médicos acreditavam que nenhuma criança sobreviveria com menos de 24 semanas. Há poucos dias nasceu no Brasil, Artur, com 385 gramas, o mais prematuro dos brasileiros.

Os dois têm sobrevivido. Mas isso é o primeiro passo de um longo tratamento médico. Eles precisam ficar internados numa UTI até atingirem um peso mínimo de 2 kg, o que às vezes leva meses. Depois disso as reinternações devem acontecer devido a fragilidade dessas crianças. Na verdade eles vão passar a vida freqüêntando hospitais. Como disse uma médica: “Se você nasceu prematuro com extremo baixo peso, você vai ser vigiado pelo resto da vida”.

Tomar conhecimento da história dessas duas crianças me fez pensar seriamente na realidade da igreja evangélica em nossos dias. Acredito que a igreja há muito tempo vem sofrendo devido a má qualidade de vida de seus membros, por causa de um começo fraco por parte daqueles que ingressam na membresia das igrejas. Em muitos casos o problema começa com os líderes. Numa entrevista, o Dr. Russel Shedd comentou sobre os pastores que são preparados em universidades por toda a Europa. Nessas escolas os professores não são crentes. Sendo mais específico, ele disse que na Alemanha onde seu genro e filha vivem, a igreja em que congregam colocou uma cláusula no estatuto exigindo que o pastor daquela igreja fosse crente. Onde vamos parar? Se o Brasil ainda não vive isso de forma clara, deixamos a desejar em muitas áreas.

As crianças prematuras terão dificuldades por toda a vida. Demorarão andar e mesmo que algumas pareçam se desenvolver bem e não apresentem maiores dificuldades, na adolescência ou vida adulta poderão começar a ter dificuldades em várias áreas. Como isso parece com a igreja. Não quero ser pessimista nem sou. Não estou decepcionado com a igreja. Creia que ela é o Corpo Vivo de Cristo na terra, mas não posso ignorar que as coisas estão ficando cada vez mais difíceis. Até começo a lembrar de algumas passagens bíblicas. Falando do final dos tempos, Jesus disse que “devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12). Falando do mesmo assunto, o apóstolo Paulo escreveu que no final as pessoas teriam apenas aparência de piedade, mas sem nenhum poder. Que desses crentes devemos nos afastar (2 Tm 3.5). Você já se imaginou afastando-se de todos que na vida cristã vivem apenas de aparências? Com quem você ficaria? Ou será que você é que seria abandonado?

Muitos que deveriam ser mestres ainda estão precisando ser ensinados quanto aos princípios elementares da Palavra de Deus (Hb 5.11-14). Isso me fala muitas coisas, como por exemplo: 1) Nascimentos espirituais prematuros, ou seja, pessoas são declaradas crentes quando não tiveram ainda uma experiência real de novo nascimento; 2) Crentes novos que não recebem acompanhamento espiritual, e não são discipuladas porque não há gente qualificada para isso. É uma espécie de efeito dominó. Precisamos reverter isso. Algumas considerações práticas imediatas poderiam incluir: 1º - Cultivo diário da vida devocional. Vejo cada vez mais pessoas se desculpando de não lerem muito a Bíblia porque o que importa é a qualidade e não a quantidade. Isso não procede. Precisamos ler muito a Bíblia. Claro que podemos mudar o estilo de leitura, como leitura devocional, estudo minucioso, mas nada justifica não gastar muito tempo com a Bíblia. O tempo específico para orar é indispensável. 2º - O compromisso com a membresia da igreja deve ser enfatizado abertamente. Precisamos amar a igreja e fazer tudo que nos for possível para contribuir com seu crescimento em todos os sentidos. 3º - Precisamos objetivamente priorizar os propósitos que Deus estabeleceu para nós. Esses propósitos se aplicam para a vida coletiva da igreja, mas igualmente se aplicam à vida pessoal, que são: adoração, comunhão, crescimento, serviço, e evangelização.

Vamos dizer com o apóstolo Paulo: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20).

Uma linda herança

Tornei-me cristão evangélico com 16 anos de idade. Naqueles dias turbulentos da adolescência cheguei a ter três sonhos: ser piloto de avião, ser cantor popular, e mecânico de automóveis. Mas, tudo mudou quando tive a experiência do novo nascimento espiritual, ou como diz a Bíblia, quando nasci de novo. Desde então, tudo mudou. Meu desejo era servir a Deus com alegria. Em poucos meses já pregava mensagens da Bíblia nos cultos da igreja, viajava com os jovens para sítios e fazendas para anunciar com entusiasmo a mensagem do Evangelho. Sempre que fazia apelos para os ouvintes entregarem suas vidas a Jesus, eu via as pessoas atendendo positivamente à mensagem de Jesus. Tornei-me professor de Escola Bíblica Dominical, e líder de jovens. Depois de quase trinta anos, minha alegria em viver para Jesus não diminuiu, pelo contrário, mais do que nunca antes sei que disso depende a minha vida, aqui e na eternidade. Sábado passado (27/01) celebrei um casamento (o terceiro nesses últimos dois meses). A mensagem que transmiti para os noivos foi sobre a importância da herança que Deus nos dá. Quando o povo de Deus entrou na terra prometida de Canaã, cada tribo, cada família, recebeu a sua herança. Os espaços eram devidamente demarcados e ninguém deveria alterar as divisas feitas, sob pena de receberem o justo juízo de Deus.

Hoje pela manhã (30/01) tive um tempo abençoado com dois colegas do ministério cristão. Nosso tempo devocional com a Bíblia foi “coincidentemente” sobre herança. O povo de Israel já dentro da terra conquistada, foi repreendido por negligenciar a posse da herança. Herança essa tão esperada, e uma vez conquista, não estava sendo aproveitada devidamente.

Tudo isso tem me feito pensar na bela herança que tenho juntamente com todos que crêem no Senhor Jesus Cristo como Salvador de suas vidas. Poderia fazer uma grande lista de tudo que envolve essa herança, como minha esposa, minhas filhas, a preciosa igreja do Senhor comprada com o sangue de Jesus derramado na cruz e que tenho o privilégio de pastorear, os amigos, o céu prometido por Jesus, a Bíblia, o Espírito Santo, e tantas outras realidades maravilhosas. Eu sou uma pessoa muito abençoada. Faço minhas as palavras do salmista que disse: “A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano SENHOR o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos” (Sl 73.25-28).

Falando assim até pode parecer que não tenho lutas e dificuldades. Não é verdade. Agora mesmo, enquanto escrevo este artigo, estou com uma lista de desafios e problemas para serem enfrentados, compromissos que preciso assumir e resolver. Mas nem por isso desanimo. A Bíblia diz que somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. Isso é tudo para mim. Não há herança maior nem melhor do que essa. Quando Davi disse: “O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta”, ele não estava livre de dificuldades. Davi foi procurado para ser morto pelo rei Saul e todo o seu exército para ser morto, mas ele sempre tinha um salmo de louvor a Deus, pois sua bela herança não dependia das circunstâncias ou sentimentos. Ele tinha no próprio Deus a sua herança. Que assim também seja sempre comigo e com você. Ainda que tudo pareça falhar, que nossa alegria esteja no Senhor.

Referências bíblicas: Jo 3.3-7; Sl 100.2; Dt 19.14; Os 5.10; Js 18.3; Sl 16.6; Pv 18.22; Sl 127; At 20.28; Pv 27.17; Rm 8.17; Sl 23.1; Hc 3.17-19.

Escreva claramente a visão

“Então o SENHOR me respondeu: Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente. Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim, e não falhará. Ainda que demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará” (Hc 2.2-3).

Habacuque clamou, gritou, ficou atônito e pasmo diante da aparente indiferença de Deus para com o seu povo. Para o profeta era inconcebível que os maus devorassem os justos, pois Deus permitiu que os babilônios prevalecessem sobre os judeus e os levassem cativos. Isso era demais para ele.

Depois que ele se acalmou e esperou, Deus falou. Ele deveria escrever o que viria porque era muito importante; deveria publicar para conhecimento de todos. Tudo aconteceria num tempo designado por Deus. É o que precisamos fazer; esperar o tempo de Deus, pois os seus planos para nós não falham. Pode até demorar, mas certamente será concretizado, não se atrasará.

Nessa oportunidade quero anunciar e comentar alguns assuntos importantes de nossa agenda para esse final de ano. Considere-os, participe e, sobretudo ore:

Uma vida poderosa de oração - Dentro da Campanha “Retorno à santidade” estamos começando uma série de estudos sobre oração nos cultos de quarta-feira. Vamos aprender muito sobre oração e praticá-la também, pois esse é o objetivo final, fazer da oração um estilo de vida.

Retorno à santidade - Depois de duas semanas introdutórias, neste domingo começaremos a considerar sete categorias de pecados. Creio que será uma bênção para todos nós.

Construção do templo - Vamos concentrar nossa atenção na ampliação de nosso templo. Duplicaremos o espaço do templo, dois banheiros, melhoria nas classes das crianças e mais...

Assembléia da Igreja - Estou convocando todos os membros da igreja em comunhão para a nossa assembléia ordinária dia 10 de dezembro às 8h00. Ore e participe.

Casamento de Quézia e Geovâne - Dia 2 de dezembro será realizada a cerimônia de casamento de Quézia e Geovâne no SEST/SENAT na Av. Fernando Correia. Deus os abençoe.

Casamento de Patrícia e José Rodolfo - Patrícia e José Rodolfo celebrarão o casamento no templo de nossa igreja no dia 9 de dezembro. Deus abençoe esse casal.

Aniversário da Igreja - Nossa igreja estará completando mais um aniversário. Marque em sua agenda os dias 22, 23 e 24 de dezembro. Nessa ocasião estaremos recebendo novos membros na igreja.

Réveillon - Como em outros anos vamos virar o ano em família. Antes, porém, teremos culto na igreja no horário normal (19:00h), pois dia 31 de dezembro será no domingo.

Deus lhe abençoe ricamente!