Mostrando postagens com marcador Esboços Comentados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esboços Comentados. Mostrar todas as postagens

Tudo por Cristo

Fico pensando se é possível encontrar alguém em nossos dias que diga: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 1.21). Viver em função de Cristo é a razão da vida cristã. Jesus contou que “o Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou” (Mt 13.44-45). Como aquele homem, precisamos experimentar a alegria de trocar tudo por Jesus. Precisamos confessar como Pedro e os demais discípulos: “Nós deixamos tudo para seguir-te” (Mc 10.28). Jesus dizia a todos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23).

Existe uma alegria inerente ao verdadeiro cristão. Mas essa alegria não contraria a indignação contra a religiosidade estéril e enganadora (Fp 3.1-2), pois desde que aprendemos a nos gloriar em Cristo Jesus e não mais confiar nos próprios méritos, sabemos o que é de fato a verdadeira vida espiritual (Fp 3.3-4).

1. Tudo por Cristo significa abrir mão de meus méritos (Fp 3.5-7). Paulo enumera sete qualidades que o colocavam no topo da religiosidade judaica: israelita, circuncidado, da tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu, fariseu, zeloso, e irrepreensível. Tudo isso lhe dava um admirável lucro no judaísmo. Mas quando ele conheceu a Cristo, considerou tudo como perda, por causa de Cristo.

2. Devo continuar perdendo para ganhar a Cristo (Fp 3.8). A decisão de renunciar deve ser contínua, porque todos os dias somos tentados a voltar ao velho estilo de viver longe de Deus. Ganhar a Cristo é uma busca diária que não pode acontecer a menos que se decida viver assim com determinação e fé. Enquanto aqui estivermos vamos ter que escolher entre Cristo e os nossos interesses.

3. Tudo o que quero é ganhar a Cristo (Fp 3.9-11). A conversão do apóstolo Paulo o levou a uma radical mudança de valores. Ele abandonou sua própria justiça para ficar apenas com a justiça que vem de Deus pela fé. Seria tão diferente se tudo o que mais desejássemos fosse a própria pessoa de Cristo. Tudo mudaria em todas as áreas de nosso viver. Nossos valores seriam completamente diferentes.

4. Meu alvo é a maturidade plena em Cristo (Fp 3.12-16). Não existe atalhos para a maturidade. Ninguém amadurece da noite para o dia, e ninguém adquire plenamente a maturidade cristã neste contexto de vida. Mas é exatamente por isso que precisamos nos consagrar deixando para trás tudo o que nos atrapalha no progresso espiritual e viver de acordo com o que já alcançamos.

Conclusão. Cristo é o nosso referencial de vida cristã. A Bíblia diz: “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” (Cl 3.17). Isso sintetiza tudo o que tenho procurado dizer aqui. O verso diz que “tudo” em nossa vida deve ser para o agrado de Jesus. Devemos ter a disposição de fazer tudo para contar com a sua aprovação. Além disso, tudo deve ser feito com gratidão em todas as suas implicações. Ao longo do tempo temos complicado o que significa a vida cristã. Se nos guiarmos pela Bíblia e fizermos tudo por Cristo e para Cristo, teremos a vida que Deus quer que tenhamos. Que assim seja.

Saindo do Egito

Na Bíblia, o Egito é um tipo do mundo ou da vida anterior ao encontro com Cristo na vida do cristão. O povo de Israel saiu do Egito por intervenção divina depois de quatrocentos anos de escravidão. Não foi fácil sair. O rei impôs várias condições, como, “não ir muito longe”, e “deixar as crianças”. Essas exigências não foram aceitas, e finalmente o povo saiu.

O povo saiu do Egito, mas o Egito não saiu do povo. No deserto, a caminho da terra prometida, quando em momentos de provação, o desejo pelo Egito voltava a se manifestar (Nm 11.4-6). O povo ainda estava acostumado com o velho estilo de vida. É uma pena que o povo de Deus parece estar mais acostumado a fazer o mal do que o bem (Jr 13.23). Precisamos aprender a discernir o que é agradável ao Senhor (Ef 5.10). A experiência de Moisés ilustra bem o que é sair do Egito (Hb 11.23-29).

1. Correndo riscos (v. 23). Depois de seu nascimento, Moisés foi escondido por três meses, visto que o rei queria matar todos os meninos judeus. Seus pais correram riscos de mantê-lo escondido, pois viam nele algo especial e não se deixaram levar pelas ameaças reais. Quem quer sair do Egito e viver para Deus tem que correr riscos.

2. Recusando os prazeres do pecado (vs. 24-25). O pecado é prazeroso, mas não compensa jamais, pois seus frutos não amadurecem. Toda satisfação proveniente do pecado resulta em tristeza. Percebendo isso, Moisés preferiu sofrer junto com o povo de Deus, mesmo perdendo vantagens que só durariam por algum tempo.

3. Contemplando a recompensa (v. 26). Se quisermos sair do Egito, precisamos rever nossos valores. Moisés considerou a desonra de se unir ao povo escravo muito melhor que as riquezas do Egito. Pela fé ele contemplava uma recompensa da parte de Deus. Seu amor ao Cristo que viria lhe motivou a romper com o Egito.

4. Vendo o invisível (v. 27). Moisés saiu do Egito e perseverou no seu objetivo sem temer a reação do rei. Ele vivia como quem ver o invisível. Ninguém consegue sair do Egito do pecado se ficar olhando as vantagens e prazeres que ele oferece. Só sai do Egito quem consegue ver Deus com os olhos da fé. Nisso consiste a diferença.

5. Celebrando a vitória (v. 28). Moisés celebrou a Páscoa, uma festa que deu início à libertação do povo de Deus do Egito. Naquela noite havia choro por mortos nas casas de todos os egípcios, menos na casa dos israelitas. Precisamos aprender a celebrar nossas vitórias conquistadas pela fé em Cristo Jesus, nosso Senhor.

6. Atravessando o mar (v. 29). Milagrosamente o povo atravessou o mar Vermelho em direção a Canaã. Quando saímos do Egito do pecado começamos a transpor limites, romper barreiras e quebrar paradigmas. Isso pode significar romper com velhas práticas até então costumeiras, mas fora da vontade de Deus.

Conclusão. Tudo o que colhemos no passado como resultado do pecado, agora só nos causa vergonha, pois tem como resultado a morte (Rm 6.21). Precisamos nos acostumar a fazer o bem e não o mal (Pv 8.13; 28.14). A maior prova de termos saído do Egito (a vida de pecados) é termos uma vida de santidade, pois, “todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus” (1 Jo 3.9).

Lares que celebram

No ministério Igreja em Células, usamos uma máxima que diz: “Cada casa uma igreja, cada membro um ministro”. Isso expressa bem o estilo de vida da igreja primitiva. A Bíblia diz: “Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo” (At 5.42). E mais: “Vocês sabem que não deixei de pregar-lhes nada que fosse proveitoso, mas ensinei-lhes tudo publicamente e de casa em casa” (At 20.20). A igreja começou numa casa e não pode perder essa referência.

Deus está restaurando a prática de vivermos igreja no templo e nos lares. Conhecemos bem os cultos de grandes ajuntamentos, mas pouco sabemos dos pequenos grupos que se encontram nos lares para adorar a Deus, receber da Palavra de Deus, compartilhar suas vidas e ganhar pessoas para Jesus. Devemos abrir nossos lares em prol do Reino de Deus. Nossos lares podem ser igrejas.

Um dos textos mais conhecidos na Bíblia (Lucas 15), ilustra bem como nossos lares podem abrir-se para Deus apesar de nossos problemas. A busca por soluções e a obtenção das vitórias, devem nos motivar a convidar amigos e vizinhos para comemorarem nossa alegria.

1. Todos os lares têm problemas. A passagem bíblica que estamos considerando (Lucas 15), mostra que os três lares mencionados enfrentavam problemas. Na primeira casa o pastor perdeu uma ovelha. Deixou as demais no campo e foi atrás da perdida. Na segunda casa, uma mulher perdeu uma moeda que valia um dia de trabalho de um operário, foi um prejuízo. Na terceira casa o filho caçula deixou a casa do pai e foi para uma região distante. Os três lares enfrentavam problemas.

2. A busca por soluções. Os três lares das parábolas nos dão exemplos de como proceder diante dos problemas. Devemos buscar soluções. O pastor deixou as demais ovelhas no campo e foi atrás da ovelha perdida até encontrá-la; a mulher acendeu uma candeia, varreu a casa e atentamente procurou sua moeda perdida até encontrá-la; o pai não foi atrás do filho, pois lhe deu a liberdade de fazer o que queria, mas o recebeu com amor quando arrependido retornou para a casa paterna.

3. Lares que celebram. As três casas procuraram solução para os seus problemas e assim puderam comemorar com amigos e vizinhos suas vitórias e conquistas. Aqui encontramos lares que sabiam celebrar as bênçãos recebidas. E mais do que isso, sabiam compartilhar com amigos e vizinhos. Infelizmente muitos não têm conseguido repartir com amigos e vizinhos o que Deus tem lhes dado. Isso acontece devido a dificuldade de se relacionarem. Precisamos investir em relacionamentos.

Os mandamentos recíprocos dos “uns aos outros” só pedem ser cumpridos quando conseguirmos nos relacionar mais de perto com as pessoas. E a melhor maneira de fazer isso é cultivarmos encontros em nossos lares para compartilharmos problemas e soluções e assim podermos celebrar as vitórias que o Senhor Jesus nos dá.

É bem verdade que tudo mudou. O mundo não é mais o mesmo do tempo da igreja primitiva, os costumes e as culturas são diversos, e a tecnologia fez tudo ficar diferente. A igreja também mudou, mas ela na verdade não mudou, pois deve continuar mantendo o padrão original de ser uma igreja que equilibra sua vivência no templo e nos lares. Se queremos ser igreja, precisamos voltar às origens.

Hoje é dia de salvação

1 “Jesus entrou em Jericó, e atravessava a cidade. 2 Havia ali um homem rico chamado Zaqueu, chefe dos publicanos. 3 Ele queria ver quem era Jesus, mas, sendo de pequena estatura, não o conseguia, por causa da multidão. 4 Assim, correu adiante e subiu numa figueira brava para vê-lo, pois Jesus ia passar por ali. 5 Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: “Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje”. 6 Então ele desceu rapidamente e o recebeu com alegria. 7 Todo o povo viu isso e começou a se queixar: “Ele se hospedou na casa de um ‘pecador’ ”. 8 Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. 9 Jesus lhe disse: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. 10 Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19.1-10).

Todo dia é dia de salvação. Em outras palavras. Deus está com suas mãos estendidas para salvar todos os dias. Sempre que alguém invocar o nome do Senhor será salvo (Is 59.1; 2 Co 6.1-2; Rm 10.13). Essa salvação fala do perdão dos pecados e de uma nova vida da parte de Deus. Mas também pode ser aplicada para a salvação de qualquer necessidade. A vida de Zaqueu ilustra essa verdade.

1. A necessidade inerente (vs. 1-3). Nada pode substituir o lugar de Deus em nossas vidas. Zaqueu era um homem rico, poderia ser um modelo de vida realizada. Mas, sua atitude diante da passagem de Jesus por sua cidade mostra a necessidade inerente que todo ser humano tem de Deus. Ele queria ver Jesus. Aquela curiosidade mostrava mais do que apenas conhecê-lo como uma pessoa importante que passava por ali. Ele queria certamente ter um encontro real com Jesus.

2. A possibilidade do encontro com Jesus (vs. 4-7). Por ter uma pequena estatura, Zaqueu não pôde ver Jesus, por causa da multidão. Mas ele não se deu por vencido. Fez a sua parte, correu adiante por onde Jesus passaria e subiu numa árvore para dali ver Jesus. Qual não foi sua surpresa ao ouvir Jesus chamá-lo pelo nome e oferecer-se para ficar em sua casa naquele dia. Ele aceitou com a alegria a oferta de Jesus e naquele dia sua vida foi transformada.

3. A experiência de salvação (vs. 8-10). Em casa diante de Jesus, Zaqueu começou a mostrar evidência de que sua vida não era mais a mesma. Sendo um conhecido explorador do dinheiro público e das pessoas a quem cobrava os impostos, ele promete dar metade de seus bens aos pobres e devolver quatro vezes mais a quem tivesse extorquido. Jesus confirmou que naquele dia na casa de Zaqueu havia acontecido salvação. Ele creu e se tornou um filho de Abraão pela fé.

Conclusão. A missão de Jesus na terra foi “buscar e salvar o perdido” (v.10). O pecado nos fez perder o caminho de Deus desde Adão. Desde então cada pessoa anda desgarrada como uma ovelha, onde cada um se volta para o seu próprio caminho (Is 53.6). Jesus veio para nos salvar do caminho da perdição porque ele é o caminho da verdade e da vida (Jo 14.6). Se você ainda não o fez, reconheça enquanto ler estas palavras que você precisa essencialmente do perdão de seus pecados e de uma nova vida que somente Jesus pode dar. Isso é possível para você como foi para Zaqueu. Você pode experimentar um novo nascimento. Abra o seu coração exatamente agora e creia em Jesus Cristo que morreu na cruz e ressuscitou para ser seu Salvador.

Seja um próspero investidor

1 Atire o seu pão sobre as águas, e depois de muitos dias você tornará a encontrá-lo. 2 Reparta o que você tem com sete, até mesmo com oito, pois você não sabe que desgraça poderá cair sobre a terra. 3 Quando as nuvens estão cheias de água, derramam chuva sobre a terra. Quer uma árvore caia para o sul quer para o norte, onde cair ficará. 4 Quem fica observando o vento não plantará, e quem fica olhando para as nuvens não colherá. 5 Assim como você não conhece o caminho do vento, nem como o corpo é formado no ventre de uma mulher, também não pode compreender as obras de Deus, o Criador de todas as coisas. 6 Plante de manhã a sua semente, e mesmo ao entardecer não deixe as suas mãos ficarem à toa, pois você não sabe o que acontecerá, se esta ou aquela produzirá, ou se as duas serão igualmente boas” (Ec 11.1-6).

Investimento na Bíblia, depende mais do que somos, do que daquilo que temos. Os cristãos da Macedônia, no meio de severa tribulação e extrema pobreza, com alegria transbordaram em rica generosidade. Deram tudo quanto podiam, e além do que podiam. Por iniciativa própria insistiram em participar da assistência aos cristãos pobres da Judéia. O mais interessante, é que eles se entregaram primeiramente ao Senhor, antes de qualquer outra coisa (2 Co 8.1-5).

1. Aplique o que você tem para obter o que não tem (v.1). Nos tempos bíblicos, o comércio acontecia em grande parte pela via marítima. Os comerciantes enviavam suas mercadorias por navios, para depois de muitos dias terem o retorno do lucro. Mas esse verso também pode significar lançar a semente em terrenos com água, para se obter depois a colheita. Um bom investidor não teme correr o risco de fazer aplicações, pois essa é a única maneira de obter mais do que aquilo que já tem.

2. Reparta enquanto tem para receber quando não tiver (v.2). O verso diz que devemos repartir o que temos com muitas pessoas, pois um dia poderemos não ter, e aqueles que ajudamos hoje, poderão nos socorrer amanhã. O generoso prospera e será abençoado (Pv 11.24-25; 22.9). Precisamos crescer na alegria de dar (At 20.35). Tudo o que retemos que poderia ajudar alguém, torna-se um erro grave de nossa parte. Se todos dessem daquilo que lhes sobra, todos estariam satisfeitos.

3. Considere sempre a lógica da vida (v.3). A fé cristã não ignora a lógica da vida. Muitos cristãos agem sem bom senso e atribuem isso à fé. Mas a fé não subestima a razão. Nuvem carregada derrama chuva. Árvore caída, morre. Considere sempre a lógica das coisas, pois assim se vive melhor. Quem investe, tem retorno. Quem não socorre, não será socorrido quando estiver precisando. Quem planta colhe. Quem age com prudência, evita muitos males.

4. Seja generoso como as nuvens e as árvores (v.3). As nuvens se desmancham em chuvas que servem ao lavrador, aos animais e aves do campo, e sobretudo a nós humanos. As árvores dão frutos, sombra, madeira, e beneficiam nosso clima e temperatura. Que nenhum de nós seja como nuvens sem água ou como árvores estéreis ou mortas que não dão frutos (Jd 12). Não seguremos as coisas com muita força. Deus nos deu para darmos. Não sejamos como o mar morto que só recebe.

5. Considere sempre as possibilidades remotas (v.3). Devemos ocupar a mente com coisas boas e pensar sempre no melhor. Mas, se queremos ser realistas, não podemos deixar de levar em conta que coisas desagradáveis podem acontecer também comigo e com você. A Bíblia diz que devemos ficar preparados para o dia mau (Ef 6.13). Nunca se sabe quais nuvens trarão tempestades. Por isso, é bom se preparar sempre. A árvore que nos oferece frutos, um dia pode cair.

6. Corra riscos com vistas na colheita (v.4). O ditado popular nos ensina dizendo: “Quem não arrisca, não petisca”. Nunca tudo estará sempre favorável. Há sempre algo indefinido, defeituoso, inseguro, duvidoso, arriscado, incompleto, e assim por diante. Se ficarmos esperando para termos certeza que tudo vai funcionar, nunca faremos nada. Se o lavrador ficar apenas observando o vento e as nuvens, nunca plantará e conseqüentemente nunca colherá. Corra riscos se quiser ir mais longe.

7. Suas limitações requerem que você viva pela fé (v.5). Não sabemos de tudo sobre tudo, nem se espera que assim seja. Mas, exatamente por isso, devemos depender ainda mais de Deus, pois não sabemos como ele vai agir em determinada situação. Investir, arriscar, e ser lógicos, deve juntar-se à fé em Jesus. Até porque sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Pouco adianta aplicar, repartir, ponderar, e correr riscos, se a confiança em Deus não estiver em primeiro lugar.

8. Invista sempre. Nunca fique à toa (v.6). Acho interessante que essa passagem bíblica que estamos considerando, manda aplicar, investir e repartir, mas diz também que não devemos deixar de produzir. Caso contrário, logo não teremos mais para repartir. Nada de omissão ou acomodação, mas sim produção. Como não temos garantia de que o que plantamos frutificará, devemos plantar sempre e cada vez mais. Que Deus nos ajude a sermos prósperos investidores.

Preparem o caminho para o Senhor

1 “Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. 2 Ele dizia: Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo. 3 Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. 4 As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. 5 A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. 6 Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. 7 Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? 8 Dêem fruto que mostre o arrependimento! 9 Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: Abraão é nosso pai. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. 10 O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. 11 Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12 Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga” (Mt 3.1-12).

Nos tempos antigos como em nossos dias, quando uma autoridade viajava para algum lugar, era precedida por uma comitiva que preparava o caminho para sua passagem. O terreno era aplanado para facilitar a passagem do rei.

O profeta João Batista usou essa prática para falar ao povo sobre a chegada de Jesus. Mas a estrada a que ele se referia era a do coração, da vida moral. Por isso que ele falou: “façam veredas retas para ele”.

Hoje também precisamos preparar o caminho para o Senhor. Ele voltará segunda vez, e a Bíblia diz que “sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Deus que fazer muitas coisas em nossas vidas, e precisamos considerar algumas verdades que nos prepararam para experimentarmos o que ele quer nos entregar.

1. Precisamos nos arrepender (v.2). O arrependimento é uma ordem, não um convite. A maioria das vezes que a Bíblia fala em arrependimento, ela se dirige ao povo de Deus. Arrependimento é uma mudança de pensamento sobre algo errado que devemos abandonar, para ficar com a maneira que Deus considera aquele assunto. Devemos nos arrepender de tudo o que contraria a vontade de Deus em nossa vida. O Reino está próximo, mas o arrependimento é uma condição indispensável para podermos nele entrar com confiança.

2. Devemos ter coragem para sermos diferentes (v.4). João Batista usava roupas feitas de pêlos de camelo e um cinto de couro na cintura (que sempre imagino ser bem destacado), e comia gafanhotos e mel silvestre. Ele era diferente em seu visual, em seu estilo de vida, e em sua mensagem. Ele morreu porque condenou o pecado do rei Herodes, que possuia a mulher de seu irmão (Mt 14.1-12). Além de nos arrependermos de nossos pecados, precisamos ter coragem para sermos diferentes deste mundo alienado de Deus. Caso contrário, não experimentaremos a vontade de Deus para as nossas vidas (Rm 12.1-2).

3. Devemos dar fruto que mostre o arrependimento (v.8). Não basta concordar que precisamos mudar, precisamos mostrar o resultado disso. Muitos fariseus e saduceus vinham ouvir João, mas eles não queriam mudar de vida. Por isso João os chama de raça de víboras. Eles pensavam que estavam livres do juízo de Deus porque eram judeus, mas estavam enganados. A menos que nos arrependamos, sejamos diferentes do mundo afastado de Deus e mostremos na prática o fruto de nosso arrependimento, não estamos preparando o caminho para o Senhor.

4. Podemos contar com o Espírito Santo (v.11). João batizava com água para arrependimento, mas Jesus estava chegando para batizar com o Espírito Santo e com fogo. Podemos mudar de vida porque o Espírito de Deus faz isso em nós. Ele nos regenera e nos torna nova criação (2 Co 5.17). O Espírito Santo já veio para ficar para sempre conosco. Ele gera dentro de nós uma vida abundante comparada a rios de água viva (Jo 14.15-17; 7.37-39). Deus pode fazer coisas inimagináveis em nossas vidas. O poder para isso já atua em nós (Ef 3.20).

Conclusão: Como na primeira vinda, também hoje precisamos nos preparar para a sua segunda vinda. E o arrependimento, uma vida diferente, fruto de vida cristã e uma vida cheia do Espírito Santo, são ingredientes indispensáveis para entrar na festa do Cordeiro de Deus. Vamos nos preparar preparando o caminho do Senhor.

Igreja, lugar de cura

14 “Quando chegaram onde estava a multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se diante dele e disse: 15 Senhor, tem misericórdia do meu filho. Ele tem ataques e está sofrendo muito. Muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. 17 Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino. 18 Jesus repreendeu o demônio; este saiu do menino que, daquele momento em diante, ficou curado. 19 Então os discípulos aproximaram-se de Jesus em particular e perguntaram: Por que não conseguimos expulsá-lo? 20 Ele respondeu: Porque a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: Vá daqui para lá, e ele irá. Nada lhes será impossível. 21 Mas esta espécie só sai pela oração e pelo jejum” (Mt 17.14-21).

Quando os discípulos foram criticados por comerem com publicanos e ‘pecadores’, Jesus disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento” (Lc 5.31-32). Com isso ele deixou claro que a igreja não é composta de pessoas perfeitas. Mesmo regenerados, ainda pecamos e temos problemas vários. Somos salvos, mas também estamos sendo salvos (1 Co 1.18 – NVI). Contudo, é através da igreja que a graça de Jesus se manifesta de forma curadora. Ele disse: “Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados” (Jo 20.23). Também lemos: “[…] confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tg 5.16).

1. As pessoas estão sofrendo muito (vs.14-15). Jesus tomou três de seus discípulos e subiu ao conhecido monte da transfiguração. Os discípulos ficaram maravilhados com a experiência que ali tiveram. Ao descerem, tiveram que tratar com a realidade da vida nua e crua. Um homem pede ajoelhado que Jesus tivesse misericórdia de seu filho que sofria muito com ataques, caindo no fogo e outras vezes na água. Não apenas aquele filho, mas toda a sua família sofria muito com aquela situação. Tem muita gente sofrendo ao nosso derredor. Pessoas que sofrem com doenças emocionais que geram problemas físicos conhecidos como psicossomáticos. Pessoas que sofrem com vícios, medos imaginários, pressões financeiras, e tantas causas, que não seria fácil enumerá-las. Dentro da própria igreja tem muita gente sofrendo, presas a coisas passadas ou atuais que as impede de crescerem na fé.

2. A igreja não tem correspondido às expectativas (vs.16-18). O pai daquele moço havia pedido a ajuda dos discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Isso ilustra o que está acontecendo em grande parte da igreja atual. Há muito entretenimento, mas pouco comprometimento, muito trovão, mas pouca chuva, muito calor, mas pouco fogo, muita expansão, mas pouca espessura. Jesus ficou irado com a inoperância dos discípulos. Ele os coloca na categoria de incrédulos e perversos, pessoas de convivência desagradável. Ele cura o rapaz, mas deixa claro que aquilo poderia ter sido feito pelos discípulos. Eles ainda não conseguiam fazer o que foram destinados a exercer. Fico pensando como isso é tão real em nossos dias. Quanta ineficiência por parte daqueles que foram chamados para brilhar nas trevas e libertar os oprimidos do Diabo. A igreja não pode ficar sem respostas ao sofrimento daqueles que a procuram.

3. Mas, a igreja pode e deve fazer a diferença (vs.19-20). Assustados com a justa repreensão, os discípulos perguntam a Jesus a razão de não conseguirem expulsar aquele demônio. A resposta de Jesus não poderia ser mais incômoda para eles. A fé pequena demais foi a causa do fracasso. Mas Jesus não parou aí. Ele lhes assegurou que se tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, a menor das sementes conhecidas, poderiam remover montes de problemas. E disse algo muito inspirador para a igreja: “Nada lhes será impossível”. A igreja vive como um leão adormecido desconhecendo o potencial que tem. O exercício da fé em Jesus poderá proporcionar libertação aos que sofrem muito. A igreja é uma comunidade terapêutica, e deve mostrar isso para a glória de Deus. A igreja não deve ser conhecida como um lugar assustador, mas oferecer um ambiente onde as pessoas encontrem cura.

4. A igreja deve usar os instrumentos indicados por Jesus (v.21). A palavra original para “ataques” é ‘lunático’. Havia uma crença de que algumas pessoas sofriam de convulsões conforme as fases da lua. Era uma espécie de epilepsia. Mas nada disso era verdade. Aquele homem estava possuído por um demônio que o atormentava. O caso dele não era de medicamentos, pois seu problema não era de origem orgânica, mas sobrenatural no âmbito do espírito. Nenhuma terapia humana poderia ajudá-lo, nenhuma análise poderia curá-lo. Ele só poderia ser ajudado por pessoas que orassem e jejuassem. Jesus disse que sua casa seria conhecida como casa de oração para todos os povos (Mc 11.17). A igreja deve valorizar a oração e o jejum como disciplinas espirituais e instrumentos de vitória sobre o mal e resposta ao sofrimento daqueles que buscam a Deus, procurando a igreja. Oremos e jejuemos cada vez mais.

Conclusão. Deus nos ajude a manter o perfil de ser da igreja. Tem muita gente sofrendo fora e dentro da igreja. Sem nenhum exagero, a igreja e somente a igreja tem resposta para o sofrimento desse mundo. Quando digo que a igreja é a resposta, estou falando de Jesus, de quem a igreja é o corpo vivo. Devemos ser menos estrutural e mais relacional. A Bíblia compara a igreja com uma família, não com um clube. Vamos punir menos e amar mais. Vamos procurar entender o sofrimento das pessoas e mostrar, experimentar e comprovar o poder curador de Jesus para nós.

Desprendimento libera você para Jesus

17 “Quando Jesus ia saindo, um homem correu em sua direção e se pôs de joelhos diante dele e lhe perguntou: Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna? 18 Respondeu-lhe Jesus: Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. 19 Você conhece os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe. 20 E ele declarou: Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência. 21 Jesus olhou para ele e o amou. Falta-lhe uma coisa, disse ele. Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me. 22 Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. 23 Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus! 24 Os discípulos ficaram admirados com essas palavras. Mas Jesus repetiu: Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25 É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. 26 Os discípulos ficaram perplexos, e perguntavam uns aos outros: Neste caso, quem pode ser salvo? 27 Jesus olhou para eles e respondeu: Para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus. 28 Então Pedro começou a dizer-lhe: Nós deixamos tudo para seguir-te. 29 Respondeu Jesus: Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho, 30 deixará de receber cem vezes mais, já no tempo presente, casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna. 31 Contudo, muitos primeiros serão últimos, e os últimos serão primeiros” (Mc 10.17-31).

Nos tempos bíblicos e em toda a história, as pessoas que mais conheceram a Deus e experimentaram do seu poder, foram aquelas que se desprenderam de tudo o que lhes prendiam e se entregaram a Deus incondicionalmente. Os amigos de Daniel viram o poder de Deus quando se deixaram jogar na fornalha ardente; Pedro viu o sobrenatural quando saiu do barco para ir ao encontro de Jesus sobre as águas; um rapaz viu cerca de cinco mil homens comerem e se fartarem, quando entregou seu lanche nas mãos de Jesus. A conhecida história do “jovem rico”, nos ensina a necessidade de nos desprendermos de tudo para Jesus.

1. O engano da religiosidade (vs.17-22). Aquele homem tinha tudo para ser um bom membro de igreja hoje. Ele parecia piedoso, ajoelhou-se aos pés de Jesus, disse obedecer aos mandamentos de Deus desde a sua adolescência, e se dispôs a fazer qualquer coisa para ter a vida eterna. Mas Jesus pôs o dedo na sua ferida. Ele não obedecia ao primeiro dos dez mandamentos, que diz: “Não terás outros deuses além de mim” (Êx 20.3). Suas riquezas eram seus deuses. Ele também não praticava o décimo mandamento, pois era cobiçoso e avarento. Ele parecia ser um homem de Deus. Talvez sua vida social era exemplar, ele não era um depravado, mas lhe faltava “uma coisa”, a qual era essencial em sua vida. Ele precisava se desprender do que tinha, mas não fez isso. Ele ficou abatido e afastou-se triste, porque não queria deixar as riquezas por Jesus. Aquele homem não conhecia a vida de Deus. Ele vivia enganado com a sua religiosidade oca.

2. O desprendimento libera você para a salvação (vs.23-27). Diante da atitude daquele homem Jesus disse que é difícil um rico entrar no Reino de Deus. Chegou a dizer que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. Ele usou uma linguagem hiperbólica para enfatizar a total impossibilidade de alguém entrar no Reino de Deus. O camelo era o maior animal conhecido e o fundo de uma agulha era o menor buraco percebido. Deus não é contra o rico e a favor do pobre. Ambos jamais entrarão no céu por si mesmos. A questão do rico é que ele tem mais onde se apegar e tem mais dificuldade de se desprender para confiar plenamente em Deus. Os discípulos ficaram perplexos com a impossibilidade de alguém entrar no Reino de Deus, mas Jesus disse que para Deus isso é possível. Na verdade só Deus pode nos fazer entrar em seu Reino. Nossa parte é nos desprendermos de toda falsa segurança e confiarmos apenas em Jesus como Salvador.

3. O desprendimento libera você para o serviço cristão (vs.28-30). Depois que entendeu a explicação de Jesus, Pedro falou em nome do grupo de discípulos: “Nós deixamos tudo para seguir-te”. Jesus mostrou que essa é a decisão esperada de cada um de nós – deixarmos tudo por ele. Quem assim o fizer, receberá nesta vida, mesmo que com perseguição por causa da natureza do evangelho em um mundo caído, cem vezes mais de tudo o que deixou, como, família e bens, e no futuro a vida eterna. Sem desprendimento ninguém consegue servir a Deus plenamente. Eu tenho experimentado o que Jesus disse. Moro há três mil quilômetros de onde nasci e pastoreio onde não mora nenhum parente meu e de minha esposa, mas posso dizer que temos uma família numerosa de irmãos na fé, e podemos desfrutar do que não teríamos se não fosse o ambiente cristão. Além disso, vivo integralmente para o serviço do evangelho, o que para mim é uma honra e glória.

Conclusão. Quero concluir fazendo alguns destaques nesse texto bíblico em consideração. No final Jesus disse que muitos primeiros serão últimos, e os últimos serão primeiros. Isso pode estar ligado com o orgulho do que se faz para Jesus. Chamou-me a atenção o olhar amoroso de Jesus para aquele homem que o ignorou no final da conversa. Devemos ser pacientes com os contrários que muitos vezes não entenderam ainda a dimensão do que significa viver para Jesus. Aquele homem não precisava cumprir uma lista de afazeres. Ele devia fazer uma única coisa: desprender-se do que lhe prendia e confiar em Jesus. A decisão que Jesus exigiu foi prática e não uma concordância teológica do que ele afirmou. O problema hoje é que as pessoas “aceitam” a mensagem do evangelho, mas não experimentam o novo nascimento como a condição para alguém entrar no Reino de Deus (Jo 3.1-8). Ser cristão não é o mesmo que o fenômeno de mimetismo, mas ser nova criação em Jesus (2 Co 5.17).

O perfil da pessoa que faz diferença para Jesus

27. Depois disso, Jesus saiu e viu um publicano chamado Levi, sentado na coletoria, e disse-lhe: Siga-me. 28. Levi levantou-se, deixou tudo e o seguiu. 29. Então Levi ofereceu um grande banquete a Jesus em sua casa. Havia muita gente comendo com eles: publicanos e outras pessoas. 30. Mas os fariseus e aqueles mestres da lei que eram da mesma facção queixaram-se aos discípulos de Jesus: Por que vocês comem e bebem com publicanos e pecadores? 31. Jesus lhes respondeu: Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. 32. Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento” (Lc 5.27-32).

No mundo comercial as qualificações são cada vez mais requeridas de seus profissionais. Para vir a Jesus nenhuma qualidade é exigida, apenas que se creia nele. Ele disse: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30). Porém, uma vez convertido é esperado mudança de vida. Quando a Bíblia fala das qualidades de uma pessoa que faz diferença na igreja, ela relaciona virtudes cristãs em nós (1 Tm 3.1-16).

O chamado de Levi para seguir Jesus nos oferece alguns valores que uma pessoa deve ter para fazer diferença para Jesus. Vejamos:

1. A pessoa que faz diferença para Jesus é ocupada (v.27). É verdade que Jesus também convoca os desocupados para o seu campo de trabalho (Mt 20.1-7). Mas ele sempre chamou os ocupados. Quando ele chamou Moisés ele cuidava das ovelhas de seu sogro; Eliseu estava arando o campo; Amós cuidava de gado e era lavrador; Pedro era pescador; e assim por diante. Se você está muito ocupado para não servir a Deus, está ocupado demais com o que não é de Deus. Levi estava sentado na coletoria quando foi chamado para seguir Jesus. Ele atendeu ao chamado.

2. A pessoa que faz diferença para Jesus prioriza seu chamado (v.28). “Levi levantou-se, deixou tudo e o seguiu”. A obediência foi imediata. Seguir Jesus deve ser um estilo de vida que suplanta os demais interesses em nossa vida. Tudo o mais deve ficar em segundo plano. Levi não cumpriu “aviso prévio”; ele simplesmente largou tudo e foi com Jesus. O grande problema hoje é que ficamos analisando se dá para atender o chamado de Jesus. Desde que não contrarie nossos interesses, atendemos. Caso contrário, rejeitamos seu chamado e seguimos em nossos caminhos. Não é assim.

3. A pessoa que faz diferença para Jesus abre sua casa para o povo (v.29). Um dos valores da igreja é o relacionamento de uns com os outros e com o povo em geral. Levi ofereceu um grande banquete a Jesus e muitos convidados compareceram; certamente amigos de Levi. Para fazer diferença para Jesus, devemos ser pessoas de portas abertas. Uma pesquisa constatou que os crentes perdem todos os amigos que tinham em dois anos depois que estão na igreja. Essa idéia de não ter contato com descrentes não é bíblica. Jesus era amigo de pecadores.

4. A pessoa que faz diferença para Jesus quebra paradigmas (v.30). Os fariseus e os mestres da lei se incomodaram ao verem Jesus e seus discípulos comerem e beberem com pessoas de má fama. O que eles não sabiam é que Jesus veio para mudar o sistema antigo até então praticado. No Antigo Testamento a santidade do povo de Israel era vista pela separação das outras nações. Mas no Novo Testamento é bem diferente. Jesus veio para viver no meio do povo. Ele nos ensina que precisamos ser sal da terra e luz do mundo. Isso requer contato com os de fora.

5. A pessoa que faz diferença para Jesus tem uma missão (vs.31-32). Jesus deixou claro que nossa missão é ir ao encontro dos doentes e dos pecadores. É propósito de Deus para sua igreja a evangelização. Se perdermos o senso de missão que nos foi dado, perdemos a razão de sermos igreja evangélica, pois a igreja que não é evangelística, logo deixará de ser evangélica. Saiamos de dentro das quatro paredes, deixemos nossos programas feitos para nós mesmos e com sabedoria busquemos aqueles que vivem nas trevas do pecado (Pv 11.30). Essa é a diferença.

Conclusão. Nunca se ocupe tanto que não possa atender ao chamado de Jesus. Nada e ninguém pode tomar a primazia dele em nossa vida. Abra sua casa para que ela seja uma agência missionária. Não tenha medo das pessoas; faça amizade com quem não é evangélico. É assim que se ganha almas. Uma das causas da cegueira da igreja em nossos dias é o excesso de luz. Só sabemos nos relacionar entre nós. Saiamos para brilhar nas trevas e salgar onde pode acontecer a putrefação. Faça diferença hoje.

O Fundamento do Cristão

Como o Pregador por Excelência, Jesus conclui o Sermão do Monte com uma aplicação prática e penetrante. Ele mostra que assim como existem falsos profetas, também existem falsos pregadores e falsos ouvintes. Jesus mostra seu repúdio à fé meramente verbal (Mt 7.21-23) e ao conhecimento meramente intelectual (Mt 7.24-27). Ele mostra que nosso destino eterno depende de uma obediência total.

1. O perigo de uma fé apenas verbal (vs. 21-23). Para sermos salvos é indispensável confessarmos Jesus com nossos lábios (Rm 10.9-10). Mas, nosso destino eterno não se justifica apenas no que falamos hoje ou no último dia para Jesus, mas por fazermos o que dizemos em nossa confissão e confirmarmos na obediência moral.

“21. Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? 23. Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” (Mt 7.21-23).

A profissão de fé que Jesus descreve aqui parece ser respeitosa e ortodoxa; chamando-o de “Senhor”. Também é uma confissão fervorosa, pois diz: “Senhor, Senhor”. Além disso é uma confissão pública com profecias em nome de Jesus, com exorcismos e milagres. Esse é um sinal do final dos tempos (Mt 24.24; 2 Ts 2.9-10). Aparentemente não há o que contestar nessa confissão. O problema é que não passam de palavras sem comprovação. Jesus dirá que nunca conheceu os que usam seu nome mas não vivem o que confessam. A diferença está entre o “dizer” e o “fazer” (Lc 6.46). Quem confessa o nome do Senhor deve se afastar do mal (2 Tm 2.19).

2. O perigo de um conhecimento apenas intelectual (vs. 24-27). No parágrafo anterior o contraste estava entre o “dizer” e o “fazer”. Agora o contraste é entre o “ouvir” e o “fazer”.

“24. Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. 25. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. 27. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda” (Mt 7.24-27).

Jesus ilustra esse parágrafo com a parábola dos dois construtores. A diferença entre os dois eram os alicerces, que não podiam ser vistos. Só depois que uma tempestade desabou sobre as duas casas foi possível perceber quem construiu bem. Os dois edificadores são professos cristãos e não são distinguidos facilmente porque os alicerces estão ocultos. Apenas uma tempestade revelará a verdade. Se isso não acontecer em nossos dias, a tempestade do dia do juízo final certamente o fará. A grande lição é: não importa o que falamos, e sim o que fazemos. Palavras bonitas e ortodoxas, nem sempre confirmam uma vida que agrada a Deus (1 Jo 1.6; 2.4; Tg 1.22-25; 2.14-20). Ler a Bíblia e orar deve significar praticar o que se conhece. Caso contrário, estamos nos enganando.

Quem é esse pregador? Ao ouvir Jesus, todos se impressionavam com sua autoridade. Ele não titubeava, não se justificava, mas também não era extravagante. Com sua maneira calma e firme de ensinar, ele deixava todos atônitos.

“28. Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, 29. porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” (Mt 7.28-29).

Não tem como desvincular o Jesus do Sermão do Monte, com o Jesus do restante do Novo Testamento. Então, precisamos considerá-lo à luz de toda a Bíblia. Onde Jesus se firmava? De onde vinha sua autoridade?

a. A autoridade de Jesus como Mestre. O conteúdo, a qualidade e a maneira de expor seus ensinamentos eram admiráveis. Ele assumiu ensinar a verdade absoluta. Ele extrapolava os padrões judeus de ensino. Ele sabia o que falava (Jo 3.11). Suas palavras eram as palavras de Deus (Jo 7.16). Falava em seu próprio nome com a mesma autoridade do Pai (Jo 14.8-11). Legislava, não apenas interpretava a lei.

b. A autoridade de Jesus como o Cristo. Jesus sabia que viera ao mundo com uma missão (Mt 5.17; 9.13; 10.34; 11.3, 19; 20.28). Com isso ele estava dizendo ser o cumprimento da lei e das profecias. Ele sabia que os dias de expectativa tinham acabado e ele veio para introduzir o período do cumprimento de todo o Antigo Testamento (Mc 1.15; Mt 4.17). Jesus sabia ser o Cristo, o Messias prometido.

c. A autoridade de Jesus como Senhor. Nem todos que se dirigiram a Jesus como Senhor, reconheciam a sua divindade, mas ele é o “Senhor” de Davi à direta de Deus (Mc 12.35-37). Jesus nunca aceitou que lhe chamem de “Senhor” sem o devido reconhecimento. Ele não era apenas um “senhor” a ser respeitado, mas o “Senhor” a ser adorado e obedecido.

d. A autoridade de Jesus como Salvador. Jesus apresentou-se como a porta e o caminho da salvação. Aqueles que o seguiam eram considerados por ele como sal da terra e luz do mundo e cidadãos do Reino de Deus. Como luz do mundo, quem lhe segue não andará em trevas (Jo 8.12). Ele tem autoridade para perdoar pecados, e como um médico tem poder para curar (Mt 9.2-6, 12).

e. A autoridade de Jesus como Juiz. Jesus enfatizou bem o dia do juízo vindouro. Ele queria que seus discípulos jamais esquecessem disso. Por isso, ele deixou claro o que é salvação e perdição. Ele mesmo se declarou o Juiz (Mt 7.22-23). O que pior pode acontecer a alguém é ficar eternamente separada de Cristo. A base do julgamento será a atitude das pessoas em relação a ele.

f. A autoridade de Jesus como Filho de Deus. Mesmo que Jesus tenha usado a expressão “o Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 7.11), e tenha dito “meu Pai” (Mt 7.21) em relação a Deus, ele nunca se incluiu entre os discípulos para falar de Deus como o “nosso Pai”, pois sabia que Deus era seu Pai em um sentido totalmente diferente, único. A expressão “meu Pai” era bem distinta (Mt 11.27).

g. A autoridade de Jesus como Deus. Jesus se considerava igual a Deus, um só com Deus (Jo 10.30). Jesus esperava que seus discípulos sofressem por ele como os profetas do Antigo Testamento sofreram por Deus (Mt 5.11-12); para alguém entrar no Reino dos céus deve obedecer-lhe como Senhor e fazer a vontade do Pai (Mt 7.21; Lc 6.46). Falando assim, ele estava se colocando no mesmo nível de Deus.

Como devo estudar a Bíblia?

Steve Patton

“Se você não sabe para onde está indo, como saberá quando chegar?”

Essa frase realça muito bem a necessidade de planejamento em qualquer campo de atividade. É o caso, sobretudo, na área do estudo da Bíblia. O conhecimento das Escrituras não decorre de uma leitura bíblica esporádica e eventual. Brota de um esforço dedicado e planejado. Você pode conhecer as Escrituras, mas tem que se esforçar. Há muitos fatores em jogo no estudo eficaz da Bíblia. Neste artigo, trataremos resumidamente de alguns deles. Oro, pedindo a Deus que você perceba que, para ser um cristão fiel, primeiro você precisa ser um estudante aplicado da Bíblia.

1. Creia que a Bíblia pode ser entendida. Os homens que registraram a Bíblia sem dúvida achavam estar escrevendo para que as pessoas pudessem entender (Lucas 1:1-4; Efésios 3:3-4; 1 João 5:13). Você está começando a estudar um livro escrito pelo seu Criador. Se há alguém que possa se comunicar com você, esse alguém é Deus.

2. Seja comprometido. O estudo bíblico bem-sucedido sempre começa com um comprometimento. Para entender a palavra de Deus, você deve verdadeiramente desejar os seus ensinamentos (João 7.17). Isso significa uma determinação infalível com o estudo da Bíblia. Querer estudar é tão importante quanto o próprio estudo em si. Muitas pessoas lêem a Bíblia; poucas a estudam.

3. Prepare-se para o estudo da Bíblia. Em muitos aspectos, o estudo eficaz da Bíblia se assemelha ao estudo eficaz de qualquer outro livro. Devemos estudá-lo de modo lógico e sistemático. Os bons estudiosos da Bíblia planejam o que vão estudar, tendo tempo e lugar fixos para estudar. Estabelecem alvos específicos e decidem quanto tempo gastarão nesse ou naquele livro ou assunto e o que esperam realizar em determinado estudo. O estabelecimento de alvos é muito importante. O preparo também implica o elemento adicional da oração, pedindo a sabedoria do alto (Tiago 1:5). Peça a ajuda de Deus em seu estudo. Ele o ajudará se realmente desejar saber e cumprir a sua vontade.

4. Termine o que começou. Uma vez que você tenha-se preparado para estudar e já estabeleceu os seus alvos, vá até o fim no seu plano. Entenda que você está realizando um projeto que terá implicações para toda a vida. O bom conhecimento bíblico não se adquire em poucas semanas ou meses. As pessoas que são “fortes nas Escrituras” gastaram anos no estudo bíblico aplicado e acompanhado por oração.

5. Busque ajuda em seu estudo. Os bons alunos da Bíblia buscam a contribuição de outras pessoas, principalmente no começo e no caso de livros ou temas mais difíceis. Os irmãos em Cristo estão sempre dispostos a ajudar os outros irmãos a ter um conhecimento melhor da verdade. Há também bons recursos básicos para o estudo bíblico que serão úteis por toda a vida. As concordâncias, os dicionários da Bíblia, as introduções aos livros da Bíblia e os Atlas bíblicos são todos bastante úteis. Esteja disposto a investir neles. Você não se arrependerá.

6. Ponha em prática o que aprender. Talvez o elemento mais importante do estudo bíblico bem-sucedido é o anseio de colocar em prática o que se aprende. Você não aprende devidamente as Escrituras enquanto você não se comprometer a fazer tudo o que elas dizem. É inútil estudar a Bíblia só pelo conhecimento bíblico em si. O estudo da Bíblia com o objetivo de transformar a vida é a busca mais valiosa que o homem conhece. Tenha a coragem de mudar a sua vida para ser padronizada pela vontade de Deus. Então, você realmente será um bom estudioso da Bíblia.

A posição doutrinária do cristão

Depois de mostrar os contrastes entre as duas espécies de justiça e piedade, os dois tesouros, as duas visões, os dois senhores e as duas ambições, Jesus mostra que finalmente chegou o momento de decidir entre o reino de Satanás e o Reino de Deus. Aqui ele fala de duas portas, dois caminhos, dois mestres, dois apelos e dois fundamentos e alerta do perigo dos falsos mestres.

1. A escolha necessária (vs. 13-14). Jesus descarta nosso sincretismo e requer que façamos uma escolha, porque só há duas possibilidades.

“13. Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mt 7.13-14).

Existem duas portas. A porta que leva ao caminho fácil é larga, sem limites. Não precisamos deixar nada para trás para entrar por essa porta. Já a porta que leva ao caminho difícil é estreita como o buraco de uma agulha (Mt 19.24). É preciso procurar por ela, pois é fácil errar. Para entrar pela porta estreita temos que deixar tudo para trás: o pecado, se necessário a família e amigos, e negar-se a si mesmo (Lc 18.28-30; 9.23). Nessa porta as pessoas entram uma a uma. Essa porta é Jesus (Jo 10.9).

O conceito de dois caminhos vem do Velho Testamento (Salmo 1). Um dos caminhos é fácil, com muito lugar para diversidade de opiniões, frouxidão moral, tolerância e permissividade, sem freios nem limites de pensamento ou de conduta. Os viajantes desse caminho fazem o que bem entendem.

O caminho difícil é apertado, com limites demarcados, pela “revelação divina” conforme as Escrituras. Aqui, não são os sentimentos que devem prevalecer, mas o que Deus diz na Bíblia, mostrando o que crer e o comportamento que devemos ter. Isso certamente é “difícil”. Mas por outro lado é um “jugo suave” e um “fardo leve” (Mt 11.30). A Bíblia também diz que os mandamentos do Senhor não são pesados (1 Jo 5.3).

Por toda a história bíblica são apresentados dois destinos: os que prosperam e os que são destruídos (Dt 30.15, 19; Sl 1; Jr 21.8). Jesus ensinou que a porta larga e o caminho amplo levam à perdição. O caminho fácil é o caminho suicida.

Mas, o caminho apertado, leva à vida, à vida eterna, que começa com a comunhão com Deus aqui, e é aperfeiçoada no céu, onde desfrutaremos da glória de Deus depois de termos servido a Deus e ao próximo.

Como há dois destinos, há dois grupos de pessoas. Muitos que entram pela porta larga e vivem no caminho amplo, irão para a perdição. Já os que entram pela porta estreita e andam no caminho apertado, têm a vida eterna.

Para alguém que queria saber se seriam poucos os salvos, Jesus disse: “Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lc 13.23-24). É preciso escolher. Não há meio-termo. Jesus não nos deu a opção do meio, da indefinição. Tem que haver decisão.

2. O perigo dos falsos mestres (vs 15-20). Jesus advertiu seus discípulos sobre os falsos profetas. Ele sempre existiram. Os fariseus e mestres da lei foram colocados nessa categoria. Jesus os chamou de “guias cegos”. Um dos sinais do fim dos tempos, é o surgimento de numerosos falsos profetas, que enganarão a muitos (Mt 23.16; 24.11). Eles se proliferam em nossos dias.

“15. Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. 16. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? 17. Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. 18. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. 19. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!” (Mt 7.15-20).

Há um padrão objetivo da verdade, distinto da falsidade. Nos tempos bíblicos um verdadeiro profeta falava por inspiração divina, enquanto o falso profeta mentia usando o nome de Deus (Jr 23.16, 18, 22, 28). Jesus deixou clara a distinção entre a verdade e a mentira doutrinária.

Os falsos profetas são perigosos, e Jesus mandou ter cuidado com eles (v. 15). Na Palestina, os lobos eram os inimigos naturais das ovelhas. Os falsos profetas são como lobos devoradores. Daí a importância de alimentar bem as ovelhas com a verdade.

Os falsos profetas falam de um otimismo amoral, de um deus “bonzinho” negando que Deus condena o mal. Eles enchem o povo de “falsas esperanças”; aos desobedientes oferecem paz quando não há paz, e negam as conseqüências de seus males (Jr 8.11; 23.16-17). Quando não negam a diferença entre a mentira e a verdade, pelo menos procuram diminuir essa diferença, para no mínimo conseguirem confundir. Os lobos se disfarçam de ovelhas, mas são feras perigosas.

Jesus mudou a comparação de ovelhas e lobos para árvores e frutos. Ele disse que devemos reconhecer os frutos dados pelos falsos profetas. Um lobo pode disfarçar-se, mas não uma árvore. Os frutos têm raiz no caráter e na conduta. Uma boa maneira de reconhecer se os frutos são bons ou maus, é fazer uma comparação das obras da carne com o fruto do Espírito (Gl 5.19-23).

Além do caráter, os frutos passam pelos ensinamentos. Devemos examinar os espíritos para ver se eles procedem de Deus (1 Jo 2.26; 4.1). Um verdadeiro profeta deve confessar Jesus como o Cristo que veio em carne, reconhecendo assim sua pessoa divino-humana (1 Jo 2.22, 23; 4.2, 3; 2 Jo 7-9).

Além do caráter e do ensino, há também o teste da influência. O ensino falso leva para a impiedade; é como câncer que perverte a fé e provoca brigas (2 Tm 2.16-18, 23). Mas o bom ensino produz fé, piedade, e maturidade (1 Tm 1.4-5; 4.7; 6.3; 2 Tm 3.16-17).

A posição doutrinária do cristão é entrar pela porta estreita, andar pelo caminho apertado, e zelar da doutrina bíblica aplicando os testes do caráter, do ensino sadio e da influência.

Os relacionamentos do cristão

Depois de falar do caráter (5.3-12), da influência (5.13-16), da relação cristã com a lei (5.17-48), da piedade (6.1-18) e dos valores cristãos (6.19-34); Jesus conclui o Sermão do Monte falando dos relacionamentos do cristão (7.1-27), pois a vida cristã acontece nos relacionamentos e não no isolamento.

1. Nossa atitude para com o irmão em falha (vs. 1-5). Jesus nunca disse que sua igreja seria perfeita aqui na terra. Certa ocasião ele disse que seriam inevitáveis os tropeços (Mt 18.7). Sua igreja teria problemas de relacionamentos.

“1. Não julguem, para que vocês não sejam julgados. 2. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. 3. Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? 4. Como você pode dizer ao seu irmão: Deixe-me tirar o cisco do seu olho, quando há uma viga no seu? 5. Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mt 7.1-5).

Como um cristão deve agir em relação a um irmão na fé que se comporta mal? Com as palavras, “não julguem, para que vocês não sejam julgados”, Jesus não estava combatendo as instituições legais, até porque o contexto aqui trata de nossa responsabilidade de uns com os outros. Jesus também não está mandando suspender nosso senso crítico para que ignoremos a diferença entre o certo e o errado. Como evitar dar “o que é sagrado” aos cães, ou “pérola aos porcos” (v. 6), ou ter “cuidado com os falsos profetas” (v. 15), sem usar nossa capacidade de julgamento!?

Então o que ele quis dizer quando disse “não julguem?”. Ele disse que devemos usar nosso senso crítico (discernimento), mas não devemos ser juízes no sentido de censurar as pessoas, condenando-as severamente em suas intenções. Não devemos ser juízes de ninguém (Rm 14.4), esse papel pertence a Deus. Quem julga, mais facilmente será colocado no banco dos réus (Rm 3.1; Tg 3.1). A ordem de não julgar, não é para sermos cúmplices das coisas erradas, mas sermos generosos.

Nos capítulos 5 e 6 de Mateus Jesus alerta do perigo de sermos hipócritas diante de Deus com uma falsa piedade. Agora chama nossa atenção para não sermos hipócritas diante das pessoas, interferindo nas pequenas falhas alheias e ignorando nossos erros mais graves. Lembrar que também sou pecador quando tento julgar os outros, deve me tornar mais humilde.

A ilustração de querer tirar um cisco no olho do meu irmão, quando no meu olho tem uma viga, mostra nossa tendência de exagerar as faltas alheias e diminuir a gravidade das nossas. Ao mesmo tempo, a hipocrisia tem uma aparência de bondade (tirar um cisco do olho de alguém). Ao invés de julgar os outros, devemos examinar a nós mesmos para não sermos julgados (1 Co 11.31). Tirando primeiro a viga de nosso olho, podemos ver melhor como tirar o cisco do lho do irmão, e ele nos amará por isso, se ele for sábio (Pv 9.8).

O fato de Jesus condenar o julgarmos os outros e a hipocrisia, não nos isenta da responsabilidade de uns pelos outros. Há lugar para reprovar e corrigir nosso irmão, sem esquecer de primeiro resolver o problema do nosso olho. O cisco no olho prejudica, e nosso amor fraterno deve ajudar o irmão a se livrar dele. Não devemos condenar nosso irmão como um juiz, nem ser um hipócrita que acusa enquanto se justifica. Antes, devemos nos corrigir e corrigir o nosso irmão. Devemos ser críticos conosco como somos com os outros, e generosos com os outros como somos conosco.

2. Nossa atitude para com os “cães” e os “porcos” (v. 6). A linguagem de Jesus aqui é muito dura. Aliás, ele chamou alguns de “sepulcros caiados”, “serpentes”, “raça de víboras”, e “raposa” (Mt 23.27, 33; Lc 13.32). Algumas pessoas agem como animais, e com os tais devem ser comparados.

“Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão” (Mt 7.6).

Não devemos julgar os outros, mas também não devemos fazer vista grossa para a má conduta das pessoas como se todas fossem iguais. Mas quem são essas pessoas com hábitos de sujeira? São os incrédulos que nunca nasceram de novo (2 Pe 2.22). Mas vai além disso: são os incrédulos que tiveram ampla oportunidade de ouvir e aceitar a mensagem do Evangelho de Jesus, mas decidiram não o aceitar de forma explícita, preferindo uma vida depravada. Para algumas pessoas, a atitude mais apropriada é sacudir a poeira dos pés (Mt 10.14; Lc 10.10-11; At 13.44-51; 18.5-6).

Não podemos rebaixar o evangelho de Cristo, permitindo que ele seja pisoteado por pessoas “sujas” que decidiram viver longe de Deus. Mas não se pode deixar de considerar a seriedade de desistir das pessoas. Isso só deve acontecer em casos extremos. Normalmente devemos ser pacientes com as pessoas, como Deus foi conosco quando ainda estávamos na ignorância.

3. Nossa atitude para com o nosso Pai celeste (vs. 7-11). Aqui Jesus passa de nosso relacionamento com os homens, para nosso relacionamento com Deus, nosso Pai que está nos céus.

“7. Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. 8. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta. 9. Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? 10. Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? 11. Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12. Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.7-11).

Aqui mais uma vez Jesus nos incentiva a orar ousada e persistentemente, dando-nos promessas maravilhosas de sua graça. Ele nos mostra o valor da repetição com ênfase ascendente: “Peçam… busquem… batam…” (v. 7). As promessas valem para todos nós: “Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta” (v. 8). Depois ele ilustra o que diz com uma simples parábola, contrastando a bondade de Deus Pai com os homens (vs. 9-11).

Pedimos a Deus não para informá-lo, mas porque dependemos dele. Oramos porque esse é um canal de obtermos as bênçãos espirituais. Mas quando pedimos, buscamos e batemos, Deus não tem a obrigação de nos dar exatamente como gostaríamos, pois ele sabe o melhor para nós. Ele é nosso Senhor, não nosso servo. Ainda bem que é assim. Precisamos conhecer a vontade de Deus e orar com fé desejando o que queremos (Rm 10.1).

4. Nossa atitude para com todas as pessoas (v.12). Como tratar os outros? “Uma boa maneira é perguntar: “Como gostaria eu de ser tratado em tal situação?”

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12).

Colocando-nos no lugar de outra pessoa, desejando-lhe o que gostaríamos para nós mesmos, nunca seremos maus, mas generosos; nunca rudes, mas sempre compreensivos; nunca cruéis, mas sempre bondosos. Esse versículo é tão abrangente em todas as relações humanas, que Jesus disse que nele se cumprem a Lei e os Profetas. Deus nos ajude.

Os valores do cristão

Na primeira metade de Mateus 6 (vs. 1-18) Jesus fala da vida particular do cristão; na segunda parte (vs. 19-34) ele trata de nossas relações públicas, onde mostra alternativas entre dois tesouros (vs. 19-21), luz e trevas (vs. 22-23), dois senhores (v. 24), nosso corpo e o Reino de Deus (vs. 25-34). Temos que escolher.

1. O tesouro do cristão (Mt 6.19-21). Jesus fala do tesouro na terra e do tesouro no céu. A durabilidade dos dois é diferente. Os tesouros da terra se estragam e são inseguros, enquanto que os tesouros nos céus não se corrompem e são seguros. Fica claro que devemos investir em tesouros nos céus.

“19. Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. 20. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.19-21).

Deve ficar claro que Jesus não está condenando o direito de propriedade, nem o uso de poupança, ou seguro de vida. Pelo contrário, a Bíblia enaltece o uso da prudência em prevenir-se para o futuro e prover para os nossos familiares (Pv. 6.6-8; 1 Tm 5.8). Juntar tesouros nos céus não contradiz o desfrutar do que Deus criou para a nossa satisfação (1 Tm 6.17).

O que Jesus condena aqui, é o acúmulo egoísta de bens, o luxo, fazer vista grossa para as necessidades das pessoas que podemos ajudar. Não podemos esquecer que a vida de uma pessoa não consiste na quantidade de seus bens (Lc 12.15). Esse assunto merece toda a nossa atenção, pois o nosso coração segue o nosso tesouro.

Os tesouros terrenos não são seguros e não podemos levá-los para a eternidade. Como lembrou Jó, saímos nus do ventre materno e nus partiremos desta vida (Jó 1.21). Mas, os tesouros nos céus são seguros. Jesus não explicou a natureza desses tesouros, mas com certeza referem-se ao que fazemos na terra produzindo efeitos positivos na eternidade. Isso nada tem a ver com méritos de boas obras, mas provavelmente refere-se à santidade de vida, numa demonstração de fé, esperança e amor (1 Co 13.13). Certamente, também se aplica ao uso de nosso dinheiro na causa do evangelho. Essas coisas são feitas na terra, mas têm implicações eternas.

2. A visão do cristão (Mt 6.22-23). Agora Jesus faz um contraste entre a luz e as trevas. Jesus usa uma figura de linguagem para dizer que os olhos são a luz do corpo, pois quase tudo que o corpo faz depende de nossa capacidade de ver.

“22. Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. 23. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mt 6.22-23).

Os olhos “iluminam” o que o corpo faz com as mãos e os pés. Na Bíblia é comum referir-se ao olho como o equivalente ao coração. Olhar para algo e colocar o coração em algo são sinônimos (Sl 119.10, 18). Para ter olhos bons é preciso ter o coração no lugar certo. Como os olhos dirigem todo o corpo, os desejos do coração influenciam toda a vida, seja para o bem ou para o mal (luz ou trevas).

3. A riqueza do cristão (Mt 6.24). Além de escolher entre dois tesouros e duas visões, precisamos também escolher entre dois senhores. É uma escolha entre Deus e o Dinheiro (qualquer coisa que colocamos no lugar de Deus).

“Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6.24).

Assim como um escravo não pode ter dois senhores, pois deve servir integralmente ao seu dono, o cristão não pode servir a Deus e ao dinheiro. Quem divide sua vida entre Deus e o Dinheiro, tem a rejeição de sua devoção por parte de Deus, porque ele não aceita que o sirvamos a menos que isso seja feito de forma exclusiva (Is 42.8; 48.11). Quando temos que escolher entre Deus e o Dinheiro, parece inconcebível que alguém faça a escolha errada.

4. O maior interesse do cristão (Mt 6.25-34). O que Jesus ensina aqui está diretamente relacionado com o que temos considerado anteriormente. Veja que o versículo 25 começa dizendo: “25. Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? 26. Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? 27. Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? 28. Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. 29. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. 30. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? 31. Portanto, não se preocupem, dizendo: Que vamos comer? ou Que vamos beber? ou Que vamos vestir? 32. Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. 33. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. 34. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mt 6.25-34).

Jesus deu opções antes: onde queremos acumular tesouros? Queremos ter uma visão clara da vida? Queremos servir ao melhor Senhor? Somente depois de tais escolhas é que podemos considerar estas palavras: “Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida… nem com seu próprio corpo… busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (vs. 25, 33).

Essa passagem mostra que o cristão pode e deve ter boas ambições, e que seus valores são diferentes dos valores dos pagãos. Mas só pode fazer isso quem já decidiu onde investir sua vida, para que direção olhar, e a quem servir.

Jesus nos alerta contra três preocupações: comida, bebida e roupa. Essas preocupações são próprias dos descrentes. Jesus não é contra as necessidades do corpo, nem contra ser previdente. O que ele condena é a preocupação com essas coisas. Nossa vida não deve ser focada nas coisas materiais. A vida é mais do que isso. A Bíblia diz: “Não andem ansiosos por coisa alguma” (Fp 4.6). A preocupação não combina com a fé cristã. Jesus chamou os discípulos de “homens de pequena fé” (v. 30), devido a preocupação deles com as coisas materiais. Se Deus nos deu a vida, também dá o alimento, se criou o corpo, ele dá a roupa. Se Deus sustenta as aves do céu e cuida dos lírios do campo, muito mais fará por nós. Observe esse diálogo imaginário:

“Disse a rolinha ao pardal:
Gostaria de saber
Por que os homens, ansiosos,
Nunca param de correr!

Respondeu o pardalzinho:
Minha amiga, eu penso assim:
Não sabem que o Pai celeste
Cuida de ti e de mim!”.

Aqui cabe dizer que a fé na provisão de Deus não nos isenta de trabalhar. A Bíblia diz: “Se alguém não quiser trabalhar, também não coma” (2 Ts 3.10). Jesus disse que Deus alimenta as aves, mas não faz isso estendendo uma mão divina cheia de comida. Elas procuram na natureza a provisão de Deus. Os lírios do campo extraem do sol e do solo o seu sustento. O mesmo acontece com os seres humanos. Deus providência nosso sustento, mas devemos buscar efetivar isso.

O cuidado de Deus em nos manter com comida, água e roupa passa pela responsabilidade humana. Muitos passam necessidades devido a injusta distribuição de bens. O mesmo Jesus que disse no Sermão do Monte que Deus nos alimenta e nos veste, disse também no mesmo Evangelho de Mateus que devemos alimentar e vestir nosso próximo (Mt 25.31-46).

Jesus proíbe que seus discípulos se preocupem, mas ele não disse que estaríamos livres de dificuldades. O Deus que cuida das aves e dos lírios do campo, também permite que caiam, morram, sejam cortados e queimados no fogo (Mt 10.29). As pessoas também caem e morrem. No Brasil (2006-2007) avião está caindo mais do que passarinho. Jesus mesmo disse que cada dia tem os seus males (v. 34). Motivos de preocupações não faltam. A diferença está na confiança em Deus (Jó 2.10; Rm 8.28). Devemos nos livrar das preocupações, mas não estamos livres do trabalho, da responsabilidade, nem das dificuldades.

Talvez nem aconteça amanhã, o que nos preocupa hoje (v. 34). Por isso que a preocupação com o dia de amanhã é uma falta de bom senso. A maioria das nossas preocupações jamais acontecerão. Devemos planejar o futuro, mas não nos preocupar com ele.

Enquanto os pagãos focalizam a atenção nas necessidades materiais, os cristãos buscam valores mais elevados, buscam valores espirituais, buscam o Reino de Deus e a sua justiça, ou seja, o governo de Deus sobre as nossas vidas, o que inclui todas as áreas de nossas vidas (família, trabalho, estudos, dinheiro, lazer, e todos os nossos relacionamentos). Isso deve ser feito de forma consciente e prazerosa.

Os maiores valores do cristão estão exatamente em buscar o Reino de Deus, o que implica na evangelização das pessoas ao nosso derredor. O Reino de Deus só se propaga com a pregação do evangelho e com pessoas convertidas a Cristo. A justiça da qual Jesus falou refere-se à justiça pessoal e social em prol da coletividade.

A piedade do cristão

“Tenham o cuidado de não praticar suas obras de justiça diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial” (Mt 6.1).

Como conciliar essa aparente discrepância entre esse versículo e Mateus 5.16? Ali Jesus manda mostrarmos nossas boas obras, enquanto aqui, ele nos proíbe de praticarmos nossas boas obras para sermos vistos. Tudo passa pela motivação. No primeiro caso ele combate nossa covardia, mas aqui ele alerta para a vaidade. Quando tentados a nos escondermos, devemos mostrar nossas boas obras, e quando tentados a mostrar, devemos nos esconder de mostrar as boas obras. As obras devem aparecer, mas a piedade deve ser secreta. Tudo deve ter como meta a glória de Deus.

No capítulo 5 de Mateus Jesus falou da justiça do cristão como a bondade, pureza, honestidade e amor; agora, ele relaciona essa justiça com a prática das esmolas, orações e jejuns, ou seja, a justiça do cristão tem a ver com sua vida moral e espiritual, a vida secular, e a vida cristã.

Jesus alerta para o perigo da hipocrisia (Mt 6.5) e do formalismo (Mt 6.8). A igreja deve ser diferente dos religiosos e dos pagãos, deve ser diferente da igreja formal e do mundanismo. Antes de se manifestar, a piedade cristã deve ser uma realidade escondida no coração.Jesus esperava que os três exemplos de piedade do cristão fossem praticados por seus discípulos, por isso ele lhes ensina o por quê, e como fazê-los. Cada parágrafo começa dizendo: “Portanto, quando você der esmola…” (v. 2). “E quando vocês orarem…” (v. 5). “Quando jejuarem…” (v. 16). Essas disciplinas cristãs falam de nossa relação com Deus, com os outros e com nós mesmos.

1. A esmola do cristão (Mt 6.2-4). A palavra para esmola no versículo dois significa um ato de misericórdia ou piedade. Como Deus (Mt 5.45, 48; Lc 6.35-36), também devemos ser misericordiosos, doadores generosos. Longe de nós esteja a sovinice.

“2. Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. 3. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, 4. de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará” (Mt 6.2-4).

Generosidade não é tudo. Jesus está enfatizando em todo o Sermão do Monte que devemos ter a motivação certa para o que fazemos. Há três possibilidades quando damos esmolas: ser honrados pelos outros, silenciosamente nos gloriarmos pelo que fizemos, ou estamos apenas desejosos da aprovação de nosso Pai celestial.

A palavra hipócrita referia-se a um orador, mais tarde a um ator. Assim, a palavra passou a ser aplicada a qualquer pessoa que trata o mundo como se fosse um palco onde ela executa um papel. Uma coisa é ser ator num teatro, numa situação convencional. Mas não é aceitável viver como ator no palco da vida.

Se buscarmos a glória dos homens querendo que o nosso nome sempre apareça em destaque pelo que fazemos, nenhuma recompensa receberemos de Deus, pois já obtemos o aplauso dos homens. A forma cristã de contribuir com os necessitados é fazê-lo de forma secreta. Não transformemos um ato de misericórdia em um ato de vaidade. Não troquemos o altruísmo pelo egoísmo. Esqueçamos rapidamente dos benefícios que fazemos. Devemos ficar satisfeitos de termos Deus como a única testemunha de nossas esmolas, esperando apenas dele a nossa recompensa.

2. A oração do cristão (Mt 6.5-6). Jesus mostra a diferença entre a hipocrisia e a realidade. Ele põe em contraste o motivo das orações e as suas recompensas.

“5. E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. 6. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. 7. E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. 9. Vocês, orem assim: Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. 10. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. 11. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. 12. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. 13. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém. 14. Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. 15. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mt 6.5-15).

Jesus disse que os hipócritas “gostam de ficar orando”, a fim de serem vistos pelos outros. Devemos cuidar para que o farisaísmo não seja representado por nós. Jesus disse que devemos orar no quarto, não apenas para evitar distrações, mas para ficarmos a sós com Deus. Ele não está se opondo a oração pública, mas falando nesse ponto da oração em secreto. A essência de toda oração cristã consiste em buscar a Deus (Sl 27.4).

Os fariseus são hipócritas quando oram, assim como os gentios ou pagãos são mecânicos (tagarelas) quando oram repetindo as mesmas coisas (vs. 5-7). Jesus não está reprovando a repetição na oração, mas o orar dizendo coisas sem significado. Ele mesmo orou três vezes pelo mesmo motivo no Getsêmani (Mt 26.44). Paulo também fez isso (2 Co 12.8). O que Jesus censurou foi a “Meditação Transcendental”. Isso também inclui a reza com o rosário. Mas não se engane. Certamente essa palavra de Jesus é contra a liturgia formal de muitos cultos.

Devemos ter muito cuidado com os jargões religiosos quando oramos, enquanto a mente fica vazia. Enfim, qualquer oração com a boca que não é feita com o coração, é reprovável. Deus não se deixa enganar pelo muito falar. Ninguém queira convencer Deus com orações longas. Não devemos fazer isso (vs. 7-8). Não oramos para informar a Deus de nossas necessidades, pois ele nos conhece plenamente. Oramos para exercitarmos nossa fé na dependência dele.

Ao contrário da oração dos hipócritas e pagãos, a oração do cristão deve ser verdadeira. Jesus ensinou a conhecida “oração do Pai-Nosso” como genuíno modelo da oração cristã. Ela pode ser copiada ou usada como uma forma de orar. A maneira de orar mostra o conhecimento que temos de Deus. O Deus da Bíblia não gosta de orações mecânicas. Ele quer ser chamado de Pai, porque é um Deus pessoal e amoroso. Jesus nos ensina a orar primeiro voltados para os interesses de Deus (“teu nome…, teu Reino…, tua vontade…”). Só depois devemos dizer (“Dá-nos…, Perdoa as nossas dívidas…, livra-nos do mal”). Primeiro a glória de Deus, depois as necessidades do homem.

3. O jejum do cristão (Mt 6.16-18). O jejum é um assunto praticamente ignorado no meio evangélico hoje. Muitos falam de ação social e oração, mas bem poucos mencionam o jejum. Os próprios discípulos de Jesus não tinham o costume de jejuar (Mt 9.14; Lc 5.33).

“16. Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. 17. Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto, 18. para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará” (Mt 6.16-18).

Jejum é abster-se total ou parcialmente de alimento, durante períodos de tempo curtos ou longos. A Bíblia nos ensina e exemplifica a prática do jejum. Jejuar e humilhar-se são termos equivalentes (Sl 35.13; Is 58.3, 5). O povo de Nínive se arrependeu e creu no Senhor com quebrantamento e jejum (Jn 3.5). Mas o jejum não deve ser praticado apenas em ocasiões de arrependimento pelos pecados passados, mas também na dependência de Deus para a misericórdia futura. Oração e jejum casam-se bem. Jesus jejuou antes de começar seu ministério público; a igreja de Antioquia jejuou antes de enviar Paulo e Barnabé para o campo missionário. Eles próprios jejuaram (Mt 4.1-2; At 13.1-3; 14.23).

O jejum não tem apenas implicações espirituais ou subjetivas. Devemos jejuar, deixando de comer ou de usar algo para compartilhar com o necessitado. Jó tinha plena consciência de ter feito isso (Jó 31.16-22). A Bíblia fala desse tipo de jejum (Is 58.5-7). Portanto, temos boas razões bíblicas para jejuar. Seja por arrependimento, oração, autodisciplina ou por amor solidário.

Nos três assuntos abordados por Jesus, esmolas, oração e jejum, ele quer que nossa motivação seja agradar a Deus. Os hipócritas mudavam a aparência do rosto para não serem reconhecidos como normais e chamarem a atenção para si mesmos. Mas essa seria a única recompensa deles. Mas os discípulos de Jesus devem se manter normais quando jejuam, sem a necessidade de tornar conhecido de outros o jejum, apenas de Deus. Ele recompensará essa prática, e isso basta.

Concluindo, fica claro o contraste feito por Jesus entre a piedade dos fariseus e a piedade do cristão. A primeira é orgulhosa e prepotente, motivada pela recompensa dos homens. A segunda, é secreta, motivada pela humildade e recompensa de Deus. Devemos manter sempre a consciência da presença de Deus, para que a nossa dádiva, a nossa oração e o nosso jejum sejam feitos com sinceridade e transparência.

Evite a vingança e pratique o amor

Veja Mateus 5.38-48. Talvez essa seja a parte mais admirada e, ao mesmo tempo, a mais desprezada do Sermão do Monte. Aqui Jesus diz para não resistir ao perverso (v. 39) e amar os inimigos (v. 44). Esse é o ponto mais desafiador desse Sermão (Mt 5-7).

1. EVITE A VINGANÇA (vs. 38-42)

“38. Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. 39. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. 40. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. 41. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. 42. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado” (Mt 5.38-42).

Quando a Bíblia diz: “Se alguém ferir seu próximo, deixando-o defeituoso, assim como fez lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. Assim como feriu o outro, deixando-o defeituoso, assim também será ferido” (Lv 24.19-20; Dt 19. 15-19), essa punição não deveria ser feita pela vítima, mas pelos juízes, as autoridades constituídas.

O grande erro dos escribas e fariseus foi estender este princípio de justa retribuição dos tribunais legais (aos quais pertencia) para o campo dos relacionamentos pessoais (ao qual não pertencia). A lei proibia explicitamente a vingança pessoal (Lv 19.18). Jesus reconhecia a punição por parte dos tribunais legais, mas ensinou que nossa atitude para com aqueles que nos prejudicam, é aceitar a injustiça (Mt 5.39). Seu propósito foi proibir a vingança pessoal, não incentivar a injustiça.

Mas o que significa exatamente essa não-resistência? Ele não está proibindo resistir ao mal propriamente dito, “ao maligno” (que significa o Diabo), mas à pessoa má, pessoas que nos fazem o mal. Mesmo que a pessoa seja má, não nos é permitido vingança. Podemos até confrontar alguém como Paulo fez com Pedro (Gl 2.11-14), desde que isso não implique em ressentimento pessoal.

Jesus usa quatro ilustrações de ações más contra nós, com referência ao nosso corpo, nossas roupas, nosso trabalho, e nosso dinheiro. Ele disse que nosso dever cristão é abster-nos tão completamente da vingança que até permitamos à pessoa “perversa” dobrar a injúria.

Jesus não está nos estimulando a sermos como capachos, covardes que não oferecem resistência a nada. O que ele nos ensina aqui, é que devemos ter um domínio próprio e um amor tal pelo próximo, que rejeitemos completamente a retaliação.

É importante dizer aqui que o Estado é uma instituição divina, comissionada (através de suas autoridades executivas) para punir quem pratica o mal, fazendo-o pagar a penalidade pelo mal cometido, e enaltecer quem faz o bem (Rm 13.1-7). Mas o Estado não pode praticar a violência institucionalizada. Se em Romanos 13 a autoridade instituída é chamada serva de Deus para o bem, em Apocalipse 13 é aliada do Diabo para o mal. As autoridades devem cumprir o propósito de Deus, não abusar dele.

No final de Romanos 12 lemos sobre a responsabilidade do cristão para com o malfeitor (Rm 12.17-21). Em Romanos 13 lemos da função do Estado (Rm 13.1-7). Paulo proíbe a prática da vingança não porque ela seja errada em si mesma, mas porque é prerrogativa de Deus, não nossa (Rm 12.19). Em nossos dias a vingança é feita pelos tribunais legais, e, finalmente no dia do juízo. O cristão deve se livrar não apenas de atos de vingança, mas até mesmo do desejo de vingar-se.

2. PRATIQUE O AMOR (vs. 43-48)

“43 Vocês ouviram o que foi dito: Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. 44 Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, 45 para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. 46 Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! 47 E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! 48 Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mt 5.43-48).

Os rabinos ensinavam que o “meu próximo” é alguém do meu próprio povo e da minha religião. Seguindo essa linha errada de raciocínio, quem não for compatriota meu ou irmão de fé, é meu inimigo, e sendo inimigo, posso até mesmo adiá-lo. Não era isso que a lei ensinava (Êx 12.49; 23.4-5; Lv 19.17-18; Dt 22.1-4). No livro de Provérbios 25.21 lemos: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber”. Mais tarde Paulo cita esse texto para falar como vencer o mal com o bem (Rm 12.20-21). As palavras “odeie o seu inimigo” foram um acréscimo no ensino oral dos rabinos. Deus não ensinou um padrão duplo de amor.

Jesus contestou a adição dos escribas de odiar o inimigo. Ele disse: “Amem os seus inimigos” (v. 44). Para Jesus o nosso próximo é qualquer pessoa, até mesmo o nosso inimigo, se ele estiver precisando de nossa ajuda (Lc 6.27, 35). Se Jesus morreu por nós quando ainda éramos inimigos de Deus (Rm 5.10), nós temos de nos dar pelos nossos inimigos, fazendo o bem e dizendo palavras de bênçãos (Mt 5.44; Lc 6.28).

A maneira de mostrar que somos filhos de nosso Pai que está nos céus é amando os nossos inimigos (v. 45). Devemos amar como Deus ama, não como os homens (v. 46; Lc 6.32). Isso não quer dizer que as pessoas que não são cristãs não amem. Elas amam seus parentes e amigos. O que Jesus está dizendo aqui é que devemos amar os inimigos desinteressadamente. A pergunta chave é: O que estamos fazendo mais do que os outros? (v. 47). Nossa justiça deve ser superior à dos fariseus e mestres da lei (Mt 5.20), e nosso amor maior do que o dos pagãos (v. 47). O cristão deve viver na dimensão do ‘extraordinário’. Este “mais” é o próprio amor de Deus através de nós.

O padrão que Jesus nos apresenta é: “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (v. 48). É claro que Jesus não está requerendo perfeição sem pecado de nossa parte. Neste mesmo “sermão” ele nos ensinou a pedir: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6.12). A “perfeição” à qual ele se refere relaciona-se com o perfeito amor de Deus que é dado àqueles que não retribuem. Devemos ser perfeitos em amor, ou seja, amar até os nossos inimigos com o amor misericordioso e abrangente de Deus (Lc 6.36).

Jesus mostra uma progressão na vida cristã. A primeira ordem é negativa: “Não resistam ao perverso”; a segunda ordem é positiva: “Amem os seus inimigos”. Não basta evitar a retaliação passiva, é preciso um amor ativo. Nas palavras de Agostinho: “Muitos têm aprendido a oferecer a outra face, mas não sabem como amar a pessoa que os esbofeteou”. Alfred Plummer resumiu tudo isso muito bem quando disse: “Retribuir o bem com o mal é demoníaco; retribuir o bem com o bem é humano; retribuir o mal com o bem é divino”. Jesus espera que façamos o que ninguém “normal” quer fazer. Nosso padrão não é o mundo, mas o Pai que está nos céus.

Seja fiel no casamento e honesto nas palavras

Mateus 5.31-37 - “31. Foi dito: Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio. 32. Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério. 33. Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor. 34. Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelos céus, porque é o trono de Deus; 35. nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. 36. E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo. 37. Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno”.

Jesus havia dito que em determinadas circunstâncias um novo casamento de uma pessoa divorciada, ou com uma pessoa divorciada, é equivalente a adultério. Isso fala da importância da fidelidade matrimonial.

1. SEJA FIEL NO CASAMENTO (vs. 31-32). Uma outra passagem enriquece nosso entendimento sobre o que Jesus ensinou sobre o divórcio: “3. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? Ele respondeu: 4. Vocês não leram que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher 5. e disse: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne? 6. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe. 7. Perguntaram eles: Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora? 8. Jesus respondeu: Moisés permitiu que vocês se divorciassem de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. 9. Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério” (Mt 19.3-9).

A instituição do casamento é mais importante que os motivos para o divórcio. Jesus recusou-se a responder à pergunta dos fariseus sobre os motivos do divórcio e fez-lhes uma contra-pergunta (vs. 3-4), reportando-os para o livro de Gênesis nos capítulos 1 e 2 para lembrar-lhes da criação do homem e da mulher (Gn 1.27), e da instituição do casamento (Gn 2.24), mostrando assim que o casamento é exclusivo (“o homem… sua mulher”) e permanente (“se unirá” à sua mulher). “O que Deus uniu, ninguém separe”.

O divórcio veio como uma permissão, não um mandamento. Jesus mostrou que o divórcio veio como uma permissão de Deus por causa da dureza de corações das pessoas (Dt 24.1-4). Mas ao dizer isso chamou a atenção de todos para o princípio do mundo, quando foi instituído o casamento (Mt 19.8).

Com uma única exceção, Jesus considerou todo novo casamento depois do divórcio como adultério (Mt 5.32; 19.9). Considerando que Deus instituiu o casamento como uma união exclusiva e permanente, uma união que ele faz e que o homem não deve quebrar, Jesus chega a inevitável conclusão de que divorciar-se e casar-se com outro, ou casar-se com uma pessoa divorciada, é assumir um relacionamento proibido, adultério, pois a pessoa, que conseguiu um divórcio aos olhos da lei humana, ainda está casada, aos olhos de Deus, com o seu primeiro parceiro. A única exceção para isso é o adultério, neste caso, algum ato de imoralidade sexual física.

O divórcio é uma trágica deterioração. Vale aqui atentar para as palavras de Crisóstomo que ligou esse assunto com as bem-aventuranças. Ele disse: “Pois aquele que é manso, pacificador, humilde de espírito e misericordioso, como poderia divorciar-se de sua esposa? Aquele que está acostumado a reconciliar os outros, como poderia discordar daquela que é a sua própria carne?”.

2. SEJA HONESTO NAS PALAVRAS (vs. 33-37). A Bíblia alerta do perigo do juramento falso, ou seja, fazer um voto e, depois quebrá-lo. Para os fariseus, apenas aqueles fórmulas que incluíam o nome de Deus tornavam o voto obrigatório. Jesus reprovou tais ensinos com seus “ais” contra os fariseus (Mt 23.16-22).

Para Jesus, a fórmula do voto é irrelevante, pois toda espécie de voto faz referência ao nome de Deus de alguma forma. A questão é que todo voto é obrigatório, independentemente da fórmula utilizada. A implicação de tudo isso é que devemos cumprir as nossas promessas e ser pessoas de palavra. Dessa forma os votos se tornam desnecessários.

O que Jesus ensinou foi que as pessoas honestas não precisam recorrer a juramentos; não que elas devam recusar-se a prestar juramento, se tal coisa for exigida por alguma autoridade externa.

Assim como o divórcio é devido à dureza do coração humano, os juramentos se devem à falsidade humana. Ambos foram permitidos por lei; nenhum foi ordenado; nem seriam necessários (Dt 23.22).

Os cristãos deveriam dizer o que pretendem e pretender o que dizem. Nosso “sim” e “não” sem adornos deveria ser o suficiente. E quando um monossílabo é suficiente, por que perder tempo e fôlego acrescentando algo mais?

Evite a ira e a imoralidade

Depois de dizer: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt 5.17), Jesus ilustra o que disse referindo-se ao sexto e sétimo dos dez mandamentos, que proíbem o homicídio e o adultério.

Mateus 5.21-26

21.“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: Não matarás, e quem matar estará sujeito a julgamento. 22. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: Racá, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: Louco!, corre o risco de ir para o fogo do inferno. 23. Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta. 25. Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão. 26. Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo”.

Jesus deixou bem claro que estava aprofundando e não destruindo as exigências da lei. O mandamento não matarás significa não cometer homicídio ou assassinato. Negar a supressão da vida em qualquer circunstância (como a pena de morte ou guerra), é ir contra passagens como Gênesis 9.6 e Romanos 13.1-5 e outros textos bíblicos.

1. Evite a ira e o insulto (vs. 21-26). Para os escribas e fariseus, o sexto mandamento se restringia ao ato do homicídio. Mas Jesus discordou deles, pois, além do homicídio, incluía pensamentos, palavras, atos e insultos. Na verdade, nem toda ira é maligna, pois a Bíblia fala muito da ira de Deus, que sempre é santa e pura. Até mesmo os seres humanos podem sentir uma ira justa (Ef 4.26-27; Tg 1.19). A referência de Jesus, então, é à ira injusta, do ódio e da vingança.

Jesus adverte sobre o perigo de desprezar o irmão, insultando sua inteligência, chamando-lhe de “cabeça-oca”, pateta, estúpido, ou “cabeça-dura”. Quem trata assim o seu irmão corre o risco de ir para o fogo do inferno. Pensamentos coléricos e palavras insultuosas, diante de Deus, são equivalentes ao homicídio: “Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna em si mesmo” (1 Jo 3.15).

Sendo a ira e o insulto tão sérios e tão perigosos, então devemos fugir deles como praga e tomar precauções o mais rapidamente possível. Jesus apresentou duas ilustrações: a primeira, da pessoa que vai ao templo oferecer sacrifícios a Deus (vs. 23-24); e a segunda, da pessoa que vai ao tribunal responder a acusações (vs 25-26). As figuras são diferentes: uma é extraída da igreja; a outra, do tribunal. Uma diz respeito a um “irmão” (v. 23) e a outra refere-se a um inimigo (v. 25). Em ambos os casos Jesus mostra a necessidade imediata de reconciliação.

Se queremos evitar o homicídio perante Deus, devemos tomar todas as possíveis medidas positivas para vivermos em paz e em amor com todos os homens. Essa, certamente é a vontade de Deus.

2. Evite a imoralidade (pornografia) (vs. 27-30). Agora Jesus volta-se do sexto para o sétimo mandamento, da proibição do homicídio para a proibição do adultério.

Mateus 5.27-30

27. “Vocês ouviram o que foi dito: Não adulterarás. 28. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29. Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. 30. E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno”.

Os rabinos achavam que eles e seus alunos guardavam o sétimo mandamento contanto que evitassem o ato do adultério propriamente dito. Eles tinham uma definição conveniente do pecado sexual.Jesus ensinou diferente. Ele estendeu as implicações da proibição divina. Assim como a proibição do homicídio incluía o pensamento colérico e a palavra insultuosa, a proibição do adultério incluía o olhar desejoso e a imaginação. Podemos cometer assassinato com nossas palavras; e podemos cometer adultério em nossos corações ou mentes (vs. 28).

As relações sexuais dentro dos votos do casamento é algo lindo que Deus nos deu. O que Jesus reprova aqui é o sexo ilegal fora do casamento, praticado por pessoas casadas ou solteiras. Ele não nos proíbe de olhar para uma mulher, mas, sim, de fazê-lo com cobiça. Todos nós sabemos a diferença que há entre o olhar e o cobiçar. A alusão de Jesus é a todas as formas de imoralidade para ambos os sexos.

Se o adultério do coração é estimulado pelos olhos, então devemos ter cuidado para onde olhamos. Jó aprendeu a lição. Ele disse: “Fiz acordo com os meus olhos de não olhar com cobiça para as moças” (Jó 31.1, 7, 9). Jó controlava seu coração controlando os seus olhos. Cabe aqui uma palavra para as mulheres. Não confundam ser “atraente” com o ser “sedutora”.

A ordem de Jesus de desfazer-se dos olhos, mãos e pés (vs. 29-30; 18.8-9), não é um incentivo a automutilação literal física, mas uma abnegação moral sem concessões. Não mutilação, mas mortificação (Mc 8.34; Cl 3.5). Cada um de nós deve considerar-se sem olho, sem mão e sem pé, para tudo o que nos leva a pecar.